21 de mai de 2014

Enfermidade e Saúde - Razão e Emoção - Paz Interior e Conflito




Compreendemos que os desequilíbrios ou enfermidades do espírito têm início com os abusos e afastamento da Lei Divina. Daí, no nível de evolução da terra, sofrimento é conseqüência da violação da Lei. Toda moléstia é de origem espiritual, razão porque há doentes e não "doenças" propriamente ditas. A medicina começou a compreender isso com o seu conceito de "moléstia psicossomática, ou seja, a doença do corpo oriunda de um estado desajustado da mente (tensão, conflito), tal qual a úlcera péptica do estômago, duodeno e a pressão arterial alta.
 
Psicólogos materialistas e mentores espirituais concordam plenamente da afirmativa de que a humanidade é construída maciçamente de mentes enfermas. Dizem os primeiros, sobretudo os psicanalistas, que o homem sadio é uma "avis rara", difícil de se encontrar. Dos segundos, Emmanuel esclarece que todos nós "somos doentes em laboriosa restauração" , devido aos débitos contraídos noutras vidas, e acentua: "todos somos enfermos pedindo alta". Não desanimemos, pôr enquanto, a terra é um planeta de provas e expiações, no qual renascem, em massa, espíritos falidos perante a lei; ele não é um lugar aprazível para uma doce vida, sem incômodos , embora possua recantos belíssimos; é, antes, um mundo de lutas evolutivas acerbas e dores múltiplas. Procuremos ver claros para não naufragarmos no mar das ilusões, que obscurecem a compreensão ; busquemos o esclarecimento sobre a causa profunda das enfermidades e a função retificadora que elas desempenham na vida do espírito eterno e deixando de considerá-las como "desgraça ocasional do momento que passa"...
 
Não há injustiças no universo, pois, Deus é amor, justiça e sabedoria; tudo impregnado da perfeição suprema. Esse princípio fundamental leva a procurar a causa da enfermidade "dentro de nós mesmos". Em outras "dissertações nossas", vimos que o sofrimento é resultado de violações, erros e abusos, no curso dos quais a Lei Divina é desrespeitada e os deveres negligenciados. A prática do mal, a repetição de abusos, a acumulação de erros, os vícios, enfraquecem os centros de força do perispírito ou corpo astral e geram lesões nele, que é sensível ao estado moral do espírito.
 
A medicina espiritual tem colaborado no tratamento dos homens encarnados sem que, pôr isso, venha invalidar a ação providencial da medicina terrestre. É tarefa no plano espiritual alertar o homem para as realidades maiores, nas quais o espírito colhe experiências e constrói a evolução. Sabemos que um dos mecanismos educativos utilizados pela "lei Divina" é a dor, da qual a doença é um dos aspectos; movimento de reajuste desencadeado pelo próprio indivíduo sempre que se desarmonize com as determinações dessa mesma Lei. Mobiliza-se no plano espiritual todos os recursos de socorro aos homens encarnados a fim de que se alie o esclarecimento do espírito ao lenitivo das dores morais e físicas da humanidade. Com isso, o intercâmbio entre os médicos encarnados e desencarnados se vai intensificando naturalmente...
 
Não é pôr outro motivo que, ao lado do socorro fraterno aos males do corpo, vem a medicina espiritual distribuindo o esclarecimento evangélico para que o próprio enfermo, despertando para as suas reais possibilidades perante a vida, tome as rédeas da própria vontade e passe a agir de modo efetivo no sentido de curar a si mesmo, afastando ou atenuando as causas do desequilíbrio físico ou moral que o assalta.
 
A saúde e a enfermidade são o produto da harmonização ou desarmonização do indivíduo para com as leis espirituais que do mundo oculto atuam sobre o plano físico; as moléstias, portanto, em sua manifestação orgânica, identificam que no mundo psíquico e invisível aos sentidos da carne, a alma esta enferma! O volume de cólera, inveja, luxúria, cobiça, ciúme, ódio ou hipocrisia que porventura o espírito tenha acumulado no presente ou nas existências anteriores, forma um patrimônio " morbo-psíquico", uma carga insidiosa e tóxica que, deve ser expurgada da delicada intimidade do perispírito. O mecanismo ajustador da vida atua drasticamente sobre o espírito faltoso, ao mesmo tempo que o fardo dos fluidos nocivos e doentios vai-se difundindo depois pelo seu corpo físico.
 
Durante o período gestativo e no crescimento do corpo, esses resíduos psíquicos venenosos, vão se condensando gradativamente e, pôr fim, lesam as regiões orgânicas que pôr hereditariedade sejam mais vulneráveis. Esse processo de o espírito drenar o seu psiquismo doentio através do corpo físico, a medicina estuda e classifica pôr várias terminologia técnica, preocupando-se mais com as "doenças" , em lugar de se preocupar mais com os "doentes". Embora a ciência médica classifique essa drenação, em várias nomenclatura, tais como, lepra, pênfigo, sífilis, tuberculose, nefrite, cirrose, câncer etc. , trata-se sempre de um espírito doente a despejar no corpo físico a sua carga residual psíquica e deletéria, que acumulou no passado, assim como pode te-la acumulado no presente. A causa da moléstia, na realidade, além de dinâmica é oculta aos olhos, ou ao sentido físico, e o enfermo sente o estado mórbido em si.
 
Quando ocorre a sua materialização física, enfermando o corpo, alterando os tecidos, deformando órgãos ou perturbando os sistemas vitais, é porque o morbo-psiquico atingiu o seu final, depois, quase sempre, de longa caminhada oculta pelo organismo do doente, para atingir a periferia da matéria e nesta acomodar ou acumular. Pôr isso, não é no momento exato que o indivíduo acusa os sintomas materiais da doença que realmente ele fica doente; de há muito tempo ele já vivia mental e psiquicamente enfermo, embora o seu exterior ainda não houvesse tomado conhecimento do fato. As inflamações, úlceras, tumores, fibromas, tuberculoses, sarcomas, quistos, hipertrofias, cirroses, adenomas, amebíases, as várias doenças provocadas pôr vírus, etc. , são apenas os sinais visíveis identificando a manifestação mórbida que desceu do psiquismo enfermiço para exteriorizar na matéria. Poucos sabem que algumas vezes é bastante um estado de irascibilidade, ódio, violência, mágoa ou insidiosa melancolia para dar início à drenação tóxica e a incidência cancerígena, que se manifesta como se tivesse sido acionada pôr forte detonador psíquico...
 
Através da mente , circulam os pensamentos de ódio, de inveja, sarcasmo, ciúme, vaidade, orgulho ou crueldade, incorporando-se, em sua passagem com as emoções de choro, medo, alegria ou tristeza, que tanto podem modificar a ética dos sentimentos, como agir sobre o temperamento, perturbando a solidariedade celular do organismo físico. A "onda" de raiva, cólera ou irascibilidade é força que faz grispar até as extremidades dos dedos, enquanto que a "onda" emitida pela doçura, bondade ou perdão afrouxa os dedos num gesto de paz.
 
Sabe-se que o medo ataca a região umbilical na altura do nervo vago-simpático e pode alterar o funcionamento do intestino delgado; a alegria afrouxa o fígado e o desopila da bílis, enquanto o sentimento de piedade reflui instantaneamente para a região do coração. A oração coletiva e sincera, da família, ante a mesa de refeições, é bastante para acalmar muitos espasmos duodenais e contrações opressivas da vesícula hepática, assim como predispõe a criatura para a harmonia química dos sucos gástricos. A inveja, comprime o fígado, e o extravasamento da bílis chega a causar surtos de icterícia, confirmando o velho refrão de que " a criatura quando fica amarela é de inveja". O medo produz suores frios e a adrenalina defensiva pode fazer eriçar os cabelos, enquanto que a timidez faz fluir o sangue às faces, causando o rubor. Diante do inimigo perigoso, o homem é tomado de terrível palidez mortal; a cólera congestiona de sangue o rosto, paralisa o fluxo da bílis e enfraquece o colérico; a repugnância esvazia o conteúdo da vesícula hepática que, penetrando na circulação, produz as náuseas e as tonturas. A medicina reconhece que há o eczema, produto da cólera ou da injúria, pois ocorre a intoxicação hepática, e as toxinas e resíduos mentais penetram na circulação sangüínea; a urticária é muito comum naqueles que vivem debaixo de tensão nervosa e das preocupações mentais. Também não são raras as mortes súbitas, quer devido a emoções de alegria, quer devido a catástrofe morais inesperadas...
 
Assim, todas as partes do ser humano são afetadas pela influência da mente, a qual atua fortemente através dos vários sistemas orgânicos, como o nervoso, o linfático, o circulatório etc. As recentes pesquisas médicas, sob a orientação da medicina psicossomática, estão confirmando que o psiquismo altera profundamente a composição e o funcionamento dos órgãos do corpo físico. Em conseqüência, devido a sua penetração, é a Homeopatia a terapêutica mais acertada e capaz de operar na raiz das emoções e dos pensamentos perturbadores, modificando os efeitos enfermos . No caso de um fígado exausto e combalido pela excessiva carga mórbida, que aflora "de dentro para fora", ou seja "do espírito para a matéria", esse órgão precioso, filtro heróico e responsável pela produção de hormônios da nutrição, necessita de alívio imediato e socorro energético, em vez de ser chicoteado violentamente pela medicação tóxica que, vindo de fora, ainda o obriga a um trabalho excepcional...
Sabe-se hoje, que os estados de tensão muito prolongados originam lesões graves em vários órgãos; as piores tensões são: ansiedade, frustração e ódio, capazes de produzirem úlceras gastroduodenais, arteriosclerose e hipertensão arterial, daí, informa André Luiz no livro Sinal Verde: " Quando mais avança, a ciência médica mais compreende que o ódio em forma de vingança, condenação, ressentimento, inveja ou hostilidade está na raiz de numerosas doenças e que o único remédio eficaz contra semelhantes calamidades da alma é o específico perdão no veículo do amor". Pôr isso, "amar ao próximo é um dos mais sábios conselhos médicos de todos os tempos". O evangelho é também um código de medicina profilática.
 
Enquanto não houver reparação das condutas malfazejas e mudança nas inclinações más, as lesões do corpo espiritual serão transferidas para o corpo material, que renascerá doente de mil maneiras diferentes. É o próprio modo de ser do indivíduo que não é sadio, seus pensamentos, sentimentos e impulsos, e de várias maneiras, afastam-no da normalidade. Os remédios materiais, com raras exceções (fim de débito) não podem curar integralmente a ninguém; conseguem melhorar, aliviar, transferir o mal, mudar a sua manifestação, mas a cura há de proceder do poder criador do espírito. " o espírito delinqüente será imperiosamente o médico de si mesmo" .
 
Temos assim, moléstias orgânicas originárias de lesões perispirituais que surgiram de erros e abusos anteriores. Se, o sujeito ingeriu veneno pôr sua deliberação, renascerá com a garganta pouco resistente a germes ou com o estômago lesado; se deu um tiro no coração, voltará atacado de uma cardiopatia congênita; se usou a inteligência como astúcia para aproveitar-se de outros, virá a ser débil mental ou padecerá de hidrocefalia e vai pôr aí afora. Vemos a lei de causa e efeito em ação, no plano espiritual determinando expiações.
 
Existem as doenças expiatórias, impostas ao reencarnante como indispensáveis a resgates necessários. É claro que nos exemplos acima temos também expiações, mas neles, o indivíduo lesou a si mesmo e a moléstia corporal é uma expressão da lesão do perispírito. Vejamos isso: Um indivíduo assassinou outro; como espírito, lutou ativamente pela própria regeneração e alcançou grandes méritos na prática do bem; todavia, ao voltar ao mundo, ainda recebe um coração defeituoso para expiar o crime. Outro levou alguém a tuberculose fazendo-o expor-se continuamente a condições adversas; ao renascer, recebe pulmões sem resistência ao bacilo de Koch etc. Muitos números de lesões ou afecções se revelam derivadas de episódios de vidas passadas. É importante lembrar André Luiz quando ele denomina as "restrições pedidas": São defeitos ou inibições funcionais que limitam atividades abusivas do organismo. Antes de reencarnar, prevendo sua queda num setor onde isso já ocorreu antes, o espírito solicita que certos órgãos ou funções sejam um tanto defeituoso, de modo a funcionarem em ritmo reduzido . Acontece então que, pôr mais que o sujeito queira exagerar no uso para obter prazer ou se lançar à prática do mal, não o consegue. E nada neste mundo livra-o da inibição solicitada...
 
Portanto, é natural que o comilão peça um estômago delicado ou lento, um intestino facilmente desarranjável, que o leve a limitar a ingestão de alimentos e bebidas. Que o facínora queira, agora ter feições mais grosseiras, que a ninguém venha atrair. Que aquele que se deixou levar pela intriga prefira voltar surdo; que o caluniador peça a mudez etc.
 
Uma última eventualidade, menos freqüente, é a da doença gerada pelo contato íntimo com um espírito perturbado, geralmente inconsciente do seu estado, cujo perispírito conteria lesões oriundas da vida material. Estabelecida a sintonia, as sensações mórbidas transmitem-se ao encarnado que passa a sentir-se enfermo sem o estar.
 
Noutros casos, o obsessor, movido pôr ódio intenso, envia descargas fluídicas constantes sobre a vítima, produzindo uma doença sem base física no próprio doente; a tal estado mórbido, Manoel P. Miranda (Nos Bastidores da Obsessão) denomina de "moléstia-simulacro"
 
A verdade é que o sofrimento, longe de ser uma desgraça ocasional, " tem função preciosa nos planos da alma" esclarece Emmanuel e ainda mais, no livro Fonte Viva:
 
O doente precisa envidar esforços para deixar de ser triste, desanimado, revoltado, odiento, raivoso, etc.; esses estados de ódio e de ansiedade lesam o corpo e a alma, o desânimo entorpece as forças desta, a maledicência consome as energias, e assim pôr diante. Urge renovar-se intimamente, mudar as disposições psíquicas. Se não, o remédio externo pouco poderá fazer a nosso favor; se houver melhoras, é preciso não regressar aos abusos anteriores, caso em que não haverá cura.
 
Importante, muito importante é que aprendamos a não pedir o afastamento da dor: ela é o amargo elixir da regeneração do espírito faltoso. Devemos, isto sim, rogar forças íntimas para suporta-la com serenidade e valor a fim de que não percamos as vantagens que nos trará no capítulo da recuperação. É preciso aprender a aproveitar os obstáculos que criamos e, para isso, podem-se pedir recursos ao alto, sempre que os recursos da terra falharem; acontecendo isto, a resignação consciente é chamada a intervir.
 
Em síntese, a enfermidade é produto derivado das violações que conscientemente praticamos ao escolher o caminho do mal de maneira voluntária. Hoje, temos que enfrentar as conseqüências disso, isto é, o sofrimento. Este representa , ao mesmo tempo, a expiação e o tratamento, porquanto, tem função medicinal pôr servir ao reajustamento do espírito culpado.
 
É lícito procurar a medicina terrena, que pode aliviar muito e curar onde for permitido; assim como a Misericórdia Divina pô-la ao nosso alcance, embora com certas limitações sociais e econômicas, que servem de prova ao espírito em processo de cura definitiva. Faz-se necessário cuidar da erradicação do mal que opera em nós ainda hoje. E, para tanto, o esforço pessoal torna-se indispensável. As lições evangélicas: orar, auxiliar, desapegar-se de posses e posições, trabalhar pelo bem, etc. , é individual e intransferível. Com elas , mudam as nossas tabelas de valores. A solidariedade, a cooperação, a contenção das paixões ou impulsos, o sacrifício, a renúncia, o serviço prestado, a conformação, assumem a significação de normas de vida .
 
Concluiremos que uma cura efetiva e definitiva só se poderá obter atendendo a dois fatores principais: reequilíbrio das correntes energéticas atingidas pelo processo mórbido que levará a revitalização das células afetadas e consequentemente recuperação das zonas lesadas no organismo;reeducação da atuação mental a fim de afastar a causa do desequilíbrio patológico, o que só pode ser conseguido com a colaboração voluntária e consciente do enfermo.

Reconhecemos que, nas atuais condições evolutivas da humanidade, dificilmente lograremos satisfazer na íntegra os citados fatores de cura. Quando é possível ao médico atingir o primeiro deles, raramente se empenha o paciente em alcançar o segundo e prossegue alimentando mentalização doentia e doenças futuras...

"Conhecereis a verdade e ela vos libertará (Jesus) ".
 
Oliver
Fontes: (Saúde integral, Vilma A. Brasil ; Evolução para o Terceiro Milênio, Carlos T. Rizzini ; Fisiologia da Alma, Ramatis ; Fonte viva, Emmanuel ; Nos Bastidores da Obsessão, Manoel P. de Miranda)

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá

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