NOSSA CASA

26 de jul de 2013

O atendimento na Umbanda.










            Estudando sobre as diferenças entre a Umbanda, o Kardecismo e o Candomblé, uma questão em particular chamou minha atenção. É o fato dos atendimentos dentro dos terreiros de Umbanda serem feitos de forma direta e de fórum íntimo com os consulentes.
            Tal postura traz enorme responsabilidade e preocupação por parte dos médiuns e principalmente por parte dos dirigentes que além de direcionar os trabalhos e ensinar com esmero seus médiuns necessita ter muito preparo, pois responderá às justiças astrais e terrena caso alguma coisa saia dos eixos.
            A natureza dos atendimentos realizados nos terreiros de Umbanda podem influenciar diretamente na vida familiar, profissional, emocional e a saúde dos consulentes. Uma única palavra errada ou mal colocada poderá causar grandes danos na vida das pessoas que recorrem aos guias e, toda essa carga de responsabilidade será voltada para o médium e seu dirigente.
            Hoje em dia, penso que devido tais observações, muitos dirigentes se empenham nos ensinamentos e estudos em suas casas junto de suas correntes e, alguns estão indo mais longe, fazendo uma certa triagem antes de permitir que o consulente tenha acesso ao guia para realizar sua consulta.
            Dentro do trabalho desenvolvido no Tucal, além dos estudos e direcionamentos, primamos por um bom, sério e verdadeiro desenvolvimento mediúnico. Sem presa e com capricho no trabalho realizado, conduzindo o médium à uma verdadeira integração com as entidades que futuramente trabalharão nos atendimentos. Não há um tempo determinado para que um filho se desenvolva, temos consciência de que cada um é um caso individual e todos terão seus tempos respeitados, observados e orientados. Temos em mente que esta atitude é uma forma de garantia para que o menor número de erros possam ocorrer.
            Pois bem, diante do exposto, recorri ao Sr. Caboclo Cobra Coral e solicitei maiores explicações da razão pela qual a Umbanda realiza seus trabalhos desta forma, o que ele me respondeu:
            - A Umbanda é uma religião nova que ainda sofre ajustes em seus ritos e fundamentos e é por esta razão que cada terreiro possui suas particularidades ritualísticas. Podemos dizer que cada casa possui seu tempero para fazer a mesma comida porém, em todas as casas um tempero em especial é utilizado e considerado o principal para que a comida saia perfeita.
            - Qual é este tempero? perguntei.
            - É Jesus Cristo. Todos os filhos da Umbanda são seguidores dos ensinamentos deixados pelo Mestre Jesus, o que não é diferente com as entidades que nela militam. Sendo assim, ao ser assentada no plano físico, os médiuns foram intuídos sobre esta forma de atendimento que nada mais é do que o seguimento do exemplo deixado por Jesus enquanto esteve entre os filhos da Terra.
            Todos sabem que os trabalhadores do astral (caboclos, pretos velhos, baianos, etc) não necessitam que um filho diga qual a razão que o trouxe até o terreiro, quem não sabe a razão é o médium que depende de ouvir o filho dizer ou então das informações que nós, o guias, passamos.
            Nós (guias) trabalhamos exatamente como Jesus trabalhou. Ele também não precisava que as pessoas dissessem de suas dores. Não era preciso nem que houvesse uma aproximação pessoal para alcançar um graça ou ser atendido. Bastava ter fé, estar no mesmo recinto para que Ele soubesse de cada um, de suas necessidades e dores mas, mesmo assim Ele permitia que todos se aproximassem e desabafassem suas aflições solicitando Sua ajuda. Jesus nunca solicitou aos seus discípulos que barrassem as pessoas que precisavam Dele. Ele simplesmente se misturava ao povo e se fazia acessível para praticar a caridade e compreendia o grau evolutivo de cada um e a necessidade que todos tinham de ao menos serem ouvidos. Jesus também compreendia a necessidade que os filhos tinham de serem ouvidos por Ele e não por um de seus apóstolos. O simples fato de estar diante do Mestre já despertava o positivismo, a pessoa já se sentia individuo, importante, especial e este sentimento despertado era meio caminho andado para a cura de seus espíritos e corpos.
            Sendo assim, filha, a única razão do atendimento na Umbanda ser como é, se dá pelo fato dos guias de Umbanda seguirem o exemplo deixado pelo mestre Jesus.
            Ao compreender a razão, como dirigente me resigno diante das responsabilidades e do compromisso ainda maior com os estudos para melhor servir.
Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá
26.07.13

10 de jul de 2013

COISAS DE TERREIRO....Eu vejo, eu participo destas bênçãos!







            Pronto, casa escolhida, entrada na corrente, fase de empolgação controlada é chegada a hora de trabalhar com seriedade e comprometimento.

            Na grande maioria das casas é usual que todo médium recém chegado permaneça durante um tempo trabalhando como cambone.

            A função do cambone é de auxiliar as entidades atuantes durante os trabalhos, providenciando os materiais solicitados, ajudando o consulente à compreender os direcionamentos dados pelos guias e, em termos astrais, são trabalhadores doadores de ectoplasma que é utilizado pelo astral nas curas e trabalhos realizados tanto no plano físico como astral, enfim, os cambones são os médiuns de sustentação dos trabalhos realizados no terreiro.

            Geralmente, nesta fase, os filhos de fé tem a oportunidade de presenciar várias consultas e resultados das mesmas. Vendo curas sendo promovidas, famílias reatando os laços de amizade e harmonia, pessoas se encontrando e assim tornando-se mais fortes e confiantes, pessoas livrando-se de vícios, reencontros e notícias de familiares já desencarnados e o mais importante, pessoas se modificando e vivendo de uma forma muito mais leves, felizes e próximas de Deus. São situações que geram grande alegria e satisfação entre o corpo mediúnico pois, alcançar tais resultados são na verdade o grande pagamento do médium e a sensação de bem estar por fazer parte destas histórias enchem a alma de ânimo. Este é, ou ao menos deveria ser, o único pagamento por tanta dedicação e trabalho por parte da corrente mediúnica de um terreiro.

            Este ânimo, antes de mais nada, deverá servir como mola impulsionadora para que os médiuns revejam seus conceitos e condutas, melhorando-se cada dia mais e mais para melhor servir. O tempo passado como cambone numa corrente é uma benção de grande aprendizado, é uma verdadeira escola de aprimoramento moral e intelectual. A grande maioria das consultas realizadas pelas entidades e acompanhadas pelos cambones trazem uma palavra ou um ensinamento que servirá para seu aprimoramento pessoal. Não podemos deixar de lembrar que isto também cabe aos médiuns atuantes, que conscientes, retiram para si os mesmos ensinamentos e oportunidades de aprimoramento.

            Infelizmente as palavras não fazem jus as emoções sentidas em várias situações vividas ao fazer parte de um corpo mediúnico diante de tantos resultados edificantes e, menos ainda, conseguiriam expressar a benção de ser um instrumento para tais realizações.

            Todo médium deve ter a consciência de que o trabalho é realizado pela espiritualidade mas, não é "pecado" se sentir feliz por ter sido o meio de comunicação para a realização do mesmo, guardada as devidas proporções entre o sentimento de graça e dever cumprido do sentimento de vaidade e orgulho.

            E são estes momentos de bênçãos e curas realizadas que como Umbandista eu vejo, eu participo!
 
Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá