29 de abr de 2013

Constatando Fatos!!!




O que mais percebemos nos terreiros é a empolgação e o grande interesse pelas manifestações mediúnicas, principalmente por parte dos iniciantes.

Vemos médiuns preocupados em saber quem é o Orixá de cabeça, quem é o guia chefe ou de frente que faz parte de sua coroa, qual a posição corporal que o guia vai adotar (se vai colocar o braço assim ou assado, se pula ou ajoelha, se grita e bate no peito), se o guia é forte ou conhecido; obcecados com a idéia de preparar guias (colares) bonitas e diferentes, esquecendo-se da eficácia e necessidade real de tais objetos de trabalho, preocupados em aprender mirongas (como fazer e o que usar nestes trabalhos), enfim, enchem os olhos e as mentes com o externo e superficial.

Diante disto, venho hoje para trazer algumas reflexões:

1 - Antes de querer saber quem é o seu Orixá de cabeça, o seu ancestre e o seu juntó, queira conhecer em primeiro lugar quem são os Orixás, suas funções e energias, o que cada um representa diante da Criação Divina e o alcance destas manifestações. Apenas desta forma conseguiremos perceber que não existe este ou aquele mais forte ou mais importante.

Outra questão que é derrubada diante deste estudo é parar de culpar os Orixás pelos desequilíbrios humanos. Exemplo:

- Vemos muitos filhos agressivos, mal educados e descontrolados dizendo: Sou assim porque sou filho de Ogum, ou então, porque sou filha de Iansã.

- Vemos muitos filhos vaidosos ao extremo se melindrando por qualquer coisa, deixando-se levar pelas dores do ego ferido, dizendo: Me emociono e sou chorão por ser filho de Oxúm.

- Vemos muitos filhos radicais, controladores e soberbos dizendo: Não tem como negar que sou filho de Xangô.

E por ai a fora....

E eu pergunto: Desde de quando um Orixá manifesta desequilíbrios HUMANOS?

Estas expressões só servem para provar a falta de conhecimento e compreensão de quem são e o que representam os Orixás.

 Aproveitando a data comemorativa de Ogum, esclarecemos que Ogum é o Orixá que irradia ordem, organização, força, determinação, etc. Sendo assim, Ogum não tem absolutamente nada haver com a falta de educação e a indisciplina emocional das pessoas. Estas desculpas, nada mais são, do que uma forma cômoda de se esquivar da auto avaliação e correção pessoal.

2 - Antes de saber se o guia vai gritar, ajoelhar, bater no peito e girar, o médium deveria se interessar em compreender qual a atuação de cada linha de trabalho nos terreiros, deveria em primeiro lugar aprender a identificar as energias e faixa vibracional que atuam tais entidades. Ao invés disso percebemos muitos filhos em processos anímicos durante as giras e por mais que sejam alertados, ignoram os conselhos dados por seus pais e mãe no santo ou então pelo guia chefe, conduta que ao invés de acelerar o processo acaba por retardar e prejudicar muito seu desenvolvimento. Esta conduta geralmente se dá justamente pela ilusão visual, onde à olhos nus, e a primeira impressão é que o guia que faz e acontece é que é o bom e poderoso, ignoram que aquele que parece tão quieto e tão normal é que realmente está manifestado em seu médium, já que, quanto mais evoluída a entidade menor é o estardalhaço em sua manifestação.

3 - A exacerbada preocupação na confecção de guias bonitas, diferentes, carregadas de informações, interpretando que a quantidade e a beleza vão indicar o poder e o grau evolutivo da entidade manifestante, só comprova mais uma vez o grau de vaidade do médium que não compreende a utilização destes elementos utilizados pelas entidades. Queremos deixar claro que nem toda entidade necessita de tal material para trabalhar e que a garantia do acerto está justamente em aguardar que a entidade peça sua guia e diga como deverá ser confeccionada, caso ela necessite deste elemento magístico.

4 - A busca desenfreada por trabalhos, mirongas, excessos de elementos nos momentos dos trabalhos é mais uma ilusão acalentada por muitos médiuns que se prendem na manifestação visual. O médium necessita compreender que ele deve estudar e conhecer todos os elementos, suas vibrações, serventias e aplicações porém, que não cabe à ele incorporar "nenhum destes elementos" em seus trabalhos. Utilizar este ou aquele elemento magístico cabe exclusivamente  ao guia atuante, o conhecimento do médium apenas dará à ele a compreensão e a segurança no momento do trabalho diante de uma solicitação feita.

5 - Também me chama atenção a preocupação excessiva em ir pra trunqueira, em ter autorização para atendimento mediúnico, como se fosse um prêmio, uma promoção . Dai se perde e não se aproveita o primordial, ser cambone , estudar, amar a pratica da religião, inclusive fora do terreiro, cumprir todas as obrigações como filho da corrente, inclusive as obrigações materiais

Enfim, a mensagem que desejamos passar é que a Umbanda, assim como qualquer outro seguimento de nossas vidas necessita tempo de aprendizado, dedicação, esforço e conhecimento.

Que o médium, antes de saber quem é o Orixá ou o guia que atuará através de sua mediunidade, precisa saber quem é ele mesmo e corrigir suas maiores deficiências morais, comportamentais e espirituais, para só então poder adentrar nas práticas dos trabalhos espirituais.

Que a fé necessita estar sempre acompanhada da razão e conhecimento, buscando aprimoramento e evolução, para que toda atuação aconteça com fundamento e lógica, escapando assim, das manifestações de egos e vaidades.

Que todo início sem consciência e sem correções acarretará numa vida de enganos e sucessivos erros.

MÉDIUNS, ANTES DE TUDO, SEJAM VERDADEIROS COM SI PRÓPRIOS!

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá
22.04.13

Um comentário:

  1. Indubitavelmente, tudo se inicia em nós mesmos, sob as Bençãos e a Misericórdia Divina.

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