29 de jan de 2013




Fumo, Bebidas, Ervas e afins...
 
         Hoje falaremos um pouquinho sobre os materiais de trabalho nos terreiros de Umbanda.
         É comum vermos nos terreiros de Umbanda, guias solicitando materiais como: Charutos, cigarros, ervas, flores, pinga, essências, pedras, etc...
         Porém, também é comum vermos em algumas casas a proibição da utilização dos mesmos ou parte dos mesmos, com maior ênfase aos cigarros e bebidas alcoólicas. Geralmente a justificativa para tal conduta é: Aqui não servimos cigarros e bebidas porque desta forma estaremos colaborando para a evolução do guia. Como se os guias fossem viciados e dependessem do vício mesmo pós morte.
         Então fica a pergunta: Estas casas estão se embasando em que fundamento para tal atitude?
         Esta conduta é justificada devido aos estudos da doutrina Kardecista que relata os efeitos das práticas viciosas tanto em encarnados como nos desencarnados. Uma das conseqüências disto é o carma suicida entre tantas outras. A questão é que esquecem-se de que se trata de entidades trabalhadores da Umbanda e não mentores espíritas atuantes em mesas brancas.
         Devemos ressaltar que a doutrina espírita em seus estudos não tinham em foco práticas magísticas, o tempo todo discorriam sobre os vícios no conceito da conduta moral destes processos. Muito tempo depois a entidade que trouxe para o meio Kardecista a necessidade da utilização de materiais para certas práticas magísticas, para promover curas e trabalhos diversos de onde determinadas energias são utilizadas, foi Ramatís e foi por esta razão que ele é visto até os dias de hoje com reservas por muitos espíritas, principalmente em casas conservadoras.
         A razão pela qual tal fundamento espírita é utilizado nos terreiros é que infelizmente ainda não existe uma doutrina fundamental na Umbanda e apenas nos últimos tempos vários médiuns vêem recebendo diretrizes e ensinamentos sobre os trabalhos realizados pelos guias trazendo a compreensão da utilização de materiais e formas de trabalhos. Penso que levaremos mais alguns anos para chegar numa doutrina básica unificadora na Umbanda mas o fato é que estamos caminhando para isso.
         Os guias de Umbanda são mestres em manipulação de energias anímicas e magnéticas, lidam como ninguém com o oculto do ser efetuando grandes mudanças em seus seguidores ao ensiná-los a direcionar suas forças e análise em seu eu. Curam, revigoram, limpam e protegem seus filhos utilizando tais energias durante os trabalhos realizados. É fato que nos tempos atuais, muitas casas espíritas que antes julgavam os guias de Umbanda como espíritos sem evolução, hoje abrem suas portas para os trabalhos realizados por eles, devido a compreensão de que esta linha de trabalho é indispensável devido ao processo evolutivo que passa nosso planeta e ainda me atrevo a dizer que muitos alcançaram a compreensão desta forma de trabalho melhor do que muitos seguidores de Umbanda. Também é fato que muitas práticas e muitos materiais que foram adotados de forma errada ou de forma exagerada também já está sendo eliminadas dos terreiros de Umbanda, como por exemplo as entregas nos pólos naturais.
         Compreendo que é necessário ter o conhecimento da utilização de cada material utilizado para que os mesmos tragam resultados favoráveis e não o contrário disto.
         O contra senso que vejo comumente é a proibição de servir uma entidade incorporada no momento do trabalho para supostamente ajudá-la em sua evolução (afinal de contas tais entidades são viciadas) e em contra partida oferecer os mesmos materiais em entregas nas esquinas, matas, cachoeiras, etc... Muitas vezes até, vemos a prática de vários seguidores da Umbanda ao fazer um churrasco ou uma festa, em um canto qualquer, oferecer bebida alcoólica, carne, cigarros para seus guias e protetores, sendo que em seus terreiros a prática é a proibição.
         Oras, se no momento do trabalho, onde os guias estão lidando diretamente com o plano material e necessitam de determinadas energias para trabalhar, lhes proíbem a utilização destes materiais para não contribuir com o vício de tais entidades, oferecer os mesmos materiais fora do trabalho não seria da mesma forma contribuir para o vício deles?
         Não estou aqui para condenar a prática adotada por ninguém, estou apenas chamando a atenção para o insensato, o que em mentes inteligentes que possuem o hábito de raciocinar é notada com facilidade a incoerência das práticas e ensinamentos passados. Estes atos insensatos recaem como uma peche sobre a Umbanda de forma geral, o que não é justo.
         No Tucal sabemos o porque e para que é utilizado cada material, podemos falar sem receio que a utilização de fumos, bebidas e demais materiais não tem absolutamente nada haver com vícios e conduta moral. Tudo e absolutamente tudo tem uma razão e uma utilização energética específica.
         Temos também o conceito de que se vou a um local buscar evolução, direcionamento e conhecimento como poderei "eu" estar neste local para ensinar e direcionar as entidades? Outra insensatez, afinal, é regra geral que o professor sempre saberá mais que o aluno, vocês não acham?
         Vemos na realidade que grande parte das casas adotam realmente tal conduta para evitar problemas e excessos devidos aos médiuns despreparados. Porém, me atrevo a dizer que isso ocorre muito por conta de tantas casas insistir em manter a farsa do trabalho mediúnico inconsciente. Sendo assim, se o médium é inconsciente a culpa não será dele, será do guia que bebeu demais e o deixou embriagado deixando os dirigentes, diante desta justificativa, definitivamente impedidos de corrigir uma conduta inadequada que claramente foi do médium. Incrivelmente muitas casas não se dão conta do preço alto que pagam por manter essa postura, achando que assim, com médiuns inconscientes, seus trabalhos terão maior credibilidade. A credibilidade vem do saber, vem da eficácia do trabalho, vem da moral e da seriedade dos trabalhadores e disto tenho absoluta certeza.
         A verdade sempre é libertadora, apesar das dores que pode causar. A casa que encara com naturalidade a consciência durante o trabalho mediúnico, pode com naturalidade corrigir erros cometidos pelos médiuns sem comprometer o nome dos Guias ou da Umbanda.
         Outra razão é o comodismo dos dirigentes que preferem simplesmente proibir o trabalho dos guias do que corrigir seus filhos, numa tentativa de não entrar em confronto com vaidades e egos dos médiuns atuantes em sua casa. Esquecem-se que a Umbanda trabalha dia a dia na prática de transformar os médiuns e seus seguidores numa pessoa melhor, mais consciente de sua missão e mais consciente da vida e isto implica sim, em confrontá-los com seus egos, com suas vaidades e com seus orgulhos e só assim a lição será realmente aprendida.
         Como sempre e como em qualquer setor é muito mais fácil deixar passar ou proibir do que educar porém, as consequências desta postura são desastrosas. Que tal pensarmos nisso???

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá
29.01.13

3 comentários:

  1. Sim, importante pensarmos nessa insensatez.
    Outro ponto que sempre me chamou a atenção e me fez refletir, sobre o espírito beber, fumar porque tem baixa evoluçao e que nós estaríamos os ajudando a evoluir...
    Partindo do princípio que tudo no Cosmos é para nossa evoluçao, qual a eficácia e lógica de um médium trabalhar com uma entidade de evoluçao inferior à dele?
    Oras, se o objetivo é a evoluçao e melhora, começando sempre por nós mesmos, qual seria o aprendizado e eficácia dos trabalhos, com uma entidade de evoluçao inferior a minha?

    Abraços e mta Luz

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  2. Ótimo texto. O difícil é falar sobre isto com mentes atarracadas, sempre se apegam na desculpa de "foi assim o Guia mandou".

    Pare-se que falta entendimento sobre a palavra Guia, se esquecem alguns que este tem que conhecer o caminho para que possa Guiar alguém, do contrario não é Guia.

    Dentro de toda a hierarquia de Umbanda (dentre a Banda de um médium), mesmo o de menor Evolução entre os que o assiste, precisa estar em um estágio de Evolução maior que seu Médium.
    Ou a palavra Guia estaria em contradição.

    Parabéns. Axé.

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  3. Pois é Koiot... as vezes observando o mundo vejo que muitas pessoas fazem dele um freezer...kkk onde se congelam e se negam a caminhar rumo a evolução.
    Sei que sou atrevida por dar minha cara a tapa ao abordar assuntos tão polêmicos porém, confio no direcionamento que recebo do astral. Trabalho com seriedade e a verdade precisa prevalecer doa o que doer porque apenas através dela conseguimos nos libertar das amarras inferiores que nos aprisionam.

    Abraços e Luz,
    Mãe Solange de Iemanjá

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