NOSSA CASA

16 de out de 2012

Falando um pouquinho sobre Erês




Falando um pouquinho sobre Erês

 

            Agora que já passou o dia 27 de setembro e 12 do outubro, datas que comemoramos os erês e nossas crianças, vou conversar um bocadinho sobre os trabalhos realizados nos terreiros.

            Sabemos que os pilares dos trabalhos realizados na Umbanda são: Erês, caboclos e Preto velhos. Essa formação representa exatamente os ciclos vividos pelo homem encarnado, que nasce passando pela fase da infância, amadurece entrando na fase produtiva e ativa e finalmente envelhece, fase que reúne todas as experiências da encarnação que com certeza o ajudou a evoluir e se prepara para retornar a vida real (vida astral).

            Sendo os erês, caboclos e pretos velhos, os pilares dos trabalhos realizados materialmente nos terreiros, fica fácil presumir que tais entidades possuem alto grau de conhecimento, especialidade em manipulações magnéticas e anímicas que influenciam diretamente os encarnados, direcionando-os à uma diretriz evolutiva e que a forma de apresentação não passa de um estereótipo assumido para alcançar o objetivo desejado.    Se é um estereótipo, é porque não é a verdade, ou seja, se eles assumem essa forma plasmada é porque na verdade não são nem crianças, nem índios e nem pretos velhos que foram escravizados. Muitos deles nem passaram por tais experiências em encarnações passadas mas assumem esta forma como uma diretriz que foi pensada para alcançar desde o mais simples e humilde dos filhos até os mais cultos. É fato que dentro de um terreiro, ninguém se sente humilhado, justamente pela forma simples, pela linguagem fácil adotada pelos guias, porém não se enganem os cultos achando que vão lidar com ignorantes, pois se surpreenderão com o alto grau de conhecimento e evolução de tais entidades. Tanto é, que cada vez mais e mais, encontramos fazendo parte do corpo mediúnico dos terreiros, pessoas com formação superior como médicos, advogados, engenheiros, etc.

            Pois bem, dito isto, quero entrar no ponto desejado que são as distorções que ocorre, infelizmente, em muitas casas justamente por ignorância de seus dirigentes e médiuns, nesta fase de homenagens, nas festas de Cosme e Damião, podemos encontrar vários erês brincando com carrinhos de controle remoto, bonecas que ligam e falam mamãe e por ai a fora. Eu pergunto: Qual o objetivo disso? Será mesmo que são os erês que desejam tais brinquedos? Para que servem tais objetos se a Umbanda lida diretamente com energias naturais?

            Respondendo minhas próprias perguntas eu digo:

            - Não há objetivo algum nesta prática, pois tais brinquedos não possuem atuação energética alguma. Isto não quer dizer que os erês não se utilizam de brinquedos em seus trabalhos mas, seus brinquedos, assim como as guias, cachimbos, punhais e demais acessórios utilizados pelas entidades, possuem campo de atuação energética e fundamento. Exemplo disso: O bodoque, também conhecido por estilingue em algumas regiões, são comumente solicitados pelas entidades que exigem mamona para brincar com eles. As entidades que solicitam tal brinquedo é porque brincavam com ele enquanto encarnados? Não, é claro que não. Sabemos muito bem o efeito eficaz que a mamona possui na limpeza energética negativa, tanto é que vários trabalhos pesados de limpeza realizados pelos Exús a mamona é utilizada. A madeira do corpo do bodoque é utilizada como um ponto isolante de energia, assim como a cruz de madeira no rosário do perto velho, como o coquinho na guia do baiano, etc.

            As bonecas de pano, recheadas com algodão, possuem também suas funções energéticas, onde potencializam energias manipuladas pelas entidades, assim como as essências dos caboclos, as ervas usadas pelos pretos velhos.

            Podemos então compreender que tais brinquedos, que de antemão nos parece singelos, e que muitos imaginam se tratar de brinquedos do passado, nada mais são que instrumentos de trabalho, fontes energéticas e de manipulação magnética. E assim, sem perder a essência da energia que trabalham, utilizando de brinquedos, as entidades que se apresentam no estereótipo de erê influenciam, limpam, descarregam e equilibram todos aqueles que diante deles passarem.

             Então porque que várias entidades pedem os carrinhos de controle remoto e bonecas modernas? É fácil responder esta questão, já que todo trabalho é realizado em conjunto com o médium, ou seja, não existe trabalho mediúnico realizado única e exclusivamente pela entidade. Todo trabalho é composto pela entidade em conjunto com o médium (parte anímica) e é a falta de compreensão do médium que querendo agradar, por achar bonito, acaba influenciando nesta escolha.

            Ah, então estou dizendo que os médiuns fingem quando pedem esses brinquedos? Não, e absolutamente não. Apenas estou dizendo que os médiuns acreditam verdadeiramente que a entidade possui este desejo, justamente por falta de compreensão da religião que praticam. Entra aqui a questão do animismo que prometo, em breve, falar a respeito.

            O animismo é o grande bicho papão do médium e muitos não se dão conta do quanto ele é atuante e o quanto influencia diretamente nos trabalhos. Tanto é que cansamos de ver as pessoas dizendo: - Não mexa com Ogum, pois ele é impaciente e muito bravo. E não se dão conta do tamanho do absurdo que dizem.

            Darei abaixo uma representação simples das energias emanadas pelos Orixás, que são os regentes planetários portanto, criadores, sustentadores e mantenedores de tudo que é vivo e de tudo que existe em nosso planeta e assim todos poderão vislumbrar a perfeição desses regentes.

            Imaginem uma planta que chegou a um ponto que produziu sementes. Numa tarde, entrando a boquinha da noite uma forte ventarola balança essa planta derrubando a semente ao chão. Dia após dia, o vento vem remexendo a superfície da terra e das folhas, a passagem dos animais também revolve essa terra com suas patas e assim a semente acaba sendo encoberta. Temos aqui Iansã, Orixá do movimento, que se manifesta para que tudo alcance o destino desejado.

            A semente enterrada entra num processo de espera, sendo cuidadosamente alimentada pela umidade do solo, até que chega o momento de brotar. Temos aqui a influência de Oxúm, Orixá responsável pelo cuidado com a geração da vida.

            A semente se rasga quase que completamente para que as primeiras folhinhas e raízes se criem. Temos neste momento Iemanjá, Orixá que é a fonte da nova vida.

            Alcançado este estágio é necessário que esta tão frágil planta, tenha força e determinação para romper toda aquela terra que a encobriu e proporcionou a germinação e assim apontar para a vida. Temos aqui Ogum, Orixá responsável pela força e determinação, aquele que é destemido e pronto para enfrentar a vida.

            O broto finalmente inicia seu crescimento no sentido vertical e é necessário que se mantenha em pé e equilibrado, para tanto suas raízes sabiamente se espalham lateralmente e se agarram à terra e seu caule possuí um grau de flexibilidade perfeito para suportar os ventos, as chuvas e demais intempéries da natureza. Temos aqui Xangô, Orixá detentor da sabedoria, do equilíbrio.

            Chega então a fase madura, onde os frutos ou as folhas estão prontas para serem consumidas e assim alimentar, curar, abrigar e equilibrar a qualidade do ar para todos aqueles que dependem desta fonte para a vida. Temos aqui Oxossí e Ossãe, Orixás responsáveis pela manutenção da vida.

            Nesta fase também temos as flores com suas cores e aromas, temos as frutas com seus sabores. E aqui encontramos Ibejí, Orixá responsável pela doçura, pela alegria e pela harmonia.

            Vejam bem, neste pequeno processo de germinação de uma simples semente, podemos observar o quão perfeito é o processo criador, o quão elevado é o grau de inteligência dos Orixás e como tudo é voltado para o positivo, para o belo, para a abundância, para a vida e evolução, influenciando todos os seres vivos existente neste planeta. Sendo assim, todos os seres humanos, da mesma força sofrem essas influências.  Que culpa tem Ogum se nos utilizamos da força e determinação emanada por ele de uma forma negativa, e ainda ousando a justificar nossas grosserias, estupidez e ignorância à sua influência? E da mesma forma fazemos isso com todos os Orixás, atribuindo à eles as origens de todas nossas imperfeições. Já é chegada a hora de assumirmos a verdade e delegar os defeitos e qualidades a quem é de direito, ou seja, a nós mesmos. Pois, tudo que vem do pólo Criador é perfeito e positivo.

            Eu sei que no texto de hoje estou mexendo com muitos médiuns que acompanham nosso trabalho e sei também que neste momento estarão pensando no que fazer, pois justamente neste ano o erê pediu um carrinho legal, um relógio, um computador. Como voltar atrás? Passarei vexame! Deixarei dúvidas em relação ao trabalho que realizo? Estes podem ser os pensamentos neste momento.

            Eu digo com toda certeza: Não temam. Corrijam o que está fora do real. Lembre-se de que sempre fazemos as coisas imaginando que estamos fazendo o melhor, porque tudo o que fazemos está de acordo com nosso grau evolutivo e de compreensão e se você leu esta matéria é porque está pronto para agir de maneira diferente. Seja verdadeiro com você mesmo e tenha sempre em mente que a evolução só se dá com a quebra de velhos conceitos, com o experimento do novo e com mente aberta para mudança.

 
Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá
16.10.12

4 de out de 2012

A SENSIBILIDADE E O TRABALHO MEDIÚNICO




A SENSIBILIDADE E O TRABALHO MEDIÚNICO

         Hoje venho para esclarecer a diferença entre ter sensibilidade e trabalhar mediunicamente.
         A sensibilidade, assim como a mediunidade é inerente ao ser humano. Todos somos sensíveis e médiuns. Já no quesito mediunidade, alguns de nós, no processo de reencarnação nos comprometemos a trabalhar mediunicamente buscando nosso caminho evolutivo, engrossando as fileiras astrais direcionadas para tal.
         Sendo assim, é comum que várias pessoas tenham em seu campo vibracional um grau de sensibilidade mais aguçado, captando emoções, situações e desequilíbrios no corpo físico e mental (doenças) das pessoas com quem convivem. Muitas dessas pessoas passam por situações onde se pegam dizendo coisas que desconheciam no sentido de orientar um amigo ou um parente e se espantam com elas mesmas diante de tal fato.
         Não é raro ouvirmos relatos de pessoas contando casos desta natureza quando chegam nos terreiros porém, esta atuação do corpo sensorial não pode ser confundida com o trabalho mediúnico em si.
         A atuação do corpo sensorial limita-se ao campo vibracional emanado pelas pessoas que é captado por aqueles que são sensíveis e é por esta razão que nos pegamos falando sobre assuntos que não temos conscientemente conhecimento.
         Ao constatar tal condição de sensibilidade, muitos buscam explicações geralmente nas religiões, já que creditam tal façanha no místico e no esotérico. E nos terreiros de Umbanda não poderia ser diferente. Recebemos várias pessoas buscando estas explicações e é neste momento que muitas delas recebem o aviso sobre seu dom mediúnico e sobre sua necessidade de trabalhar mediunicamente. Diante desta "descoberta" aliada às suas experiências sensitivas, a pessoa se empolga imaginando que ao adentrar na corrente de trabalho mediúnico já chegará em estágio avançado e que terá facilidade no trato com a espiritualidade, o que acaba sendo de certa forma um grande equivoco.
         É por esta razão que venho explicar, principalmente aos médiuns iniciantes, a diferença entre ser sensível e trabalhar mediunicamente.
         A percepção que vem do corpo sensorial se limita exclusivamente ao atual das pessoas.  Limita-se as experiências, dificuldades e emoções vivenciadas nesta encarnação. Já no trabalho mediúnico, onde a atuação é de responsabilidade de uma entidade, as orientações e direcionamentos, são realizados com conhecimento das necessidades que a pessoa possui para sua evolução. Estas entidades tem acesso a toda história de vida (eterna) daqueles que atendem e todas as questões são avaliadas como um todo.
         Sendo assim, uma doença vivida, pode ser mais que apenas uma fase difícil, pode se tratar de uma lição para que o espírito daquela pessoa evolua e conquiste nesta condição uma compreensão necessária. Diante deste conhecimento, as entidades vão direcionando a pessoa no sentido de se encorajar, aceitar a situação e a se analisar diante de suas atitudes até que alcance seu objetivo. Tal conhecimento não é possível apenas com a atuação do corpo sensorial, onde utilizamos da sensibilidade aguçada para constatar uma situação.
         Portanto, médiuns iniciantes, é imprescindível a compreensão de que mesmo possuindo um grau aguçado de sensibilidade, será necessário o tempo, o aprendizado e o desenvolvimento para se trabalhar mediunicamente. Um processo que acontece para que você aprenda a se ligar, a perceber, a compreender e finalmente a trabalhar com a influência de uma segunda personalidade (guias) ligada ao seu mental.
         Este equivoco de achar que porque se é sensitivo vai iniciar seu trabalho mediúnico com facilidade, frustra muitos dos iniciantes ao constatar que o processo de desenvolvimento não é tão simples quanto imaginavam, ou então, os prejudicam no sentido de desejar que tudo aconteça com rapidez onde tendem a cair no animismo em alto grau, o que prejudicará gravemente seu desenvolvimento mediúnico.
         Atentem-se para isto e se entreguem com paciência e solidez ao seu desenvolvimento, aprendendo passo a passo como atuar juntamente com o astral (guias).
 
Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá
04/10/12