7 de dez de 2011

Barganha, troca, favoritismo, despachos...

            Infelizmente há ainda na Umbanda muitos seguidores crentes de que a espiritualidade está inteiramente ao seu dispor. Procuram por um templo na intenção única da resolução de seus problemas financeiros, familiares e emocionais, porém não estão dispostos a reavaliar seus atos, sua conduta e raciocínio. Essa procura busca em primeiro lugar uma resolução imediata e sem esforço, em segundo lugar um culpadoque não seja ele próprio e em terceiro lugar uma satisfação para seu ego.

            Não é raro ouvirmos dizer: - O terreiro que fui é muito bom, eu estava com problemas sérios e chegando lá viram que tudo ocorre devido à um trabalho feito contra mim. Fizeram uma puxada e pegaram o exú que me atrapalhava e agora é só eu complementar o trabalho com um despacho tal dia, tal hora em tal lugar.

            O que esse tipo de conceito nos mostra? Mostra a vaidade pessoal sendo satisfeita em todos seus graus de interesse.

            Se a pessoa tem um trabalho feito contra ela, imediatamente, lá em seu mais profundo íntimo vaidoso, a mensagem chega como: - Viu como você é importante, estão gastando tempo e dinheiro contra você porque não suportam ver como você é especial ou bem sucedido.

            Se toda a razão dos conflitos vividos é a obsessão sofrida pelo exú, no íntimo do seu orgulho a mensagem chega como: - Você é correto, tudo o que faz está certo, o problema existe por culpa do obsessor. Ou seja, não há razões para se preocupar com melhorar-se nem avaliar-se, já que tudo de errado acontece por culpa de quem o ataca covardemente.

            Se for necessário fazer um despacho para que tudo isso finalmente se resolva, no íntimo de seu ego chega a mensagem: - As entidades de luz estão cuidando de mim, utilizam-se de seu tempo precioso e conhecimento para me dar atenção e me ensinar mirongas para me livrar do mal injusto que estou sofrendo.

            Diante disto e satisfeita toda e qualquer necessidade da vaidade, orgulho e ego; a pessoa se realiza e se compraz com tamanha “atenção” e em troca se dispõe a colaborar generosamente com o terreiro ou a presentear a entidade que o atendeu.

            Quanto tempo será necessário para que os filhos da Umbanda compreendam verdadeiramente que tudo é uma consequência de seus atos e escolhas?

Quando compreenderão que basta uma postura reta, com lisura e o real aprimoramento moral, entrando assim no fluxo energético natural do Criador, para que tudo melhore para ele?

Quando compreenderão que a Umbanda é uma religião e que o me ajude aqui que eu te dou ali não tem espaço dentro dela, porque na Umbanda não há troca e nem é um mercado de negociações?

Quanto tempo será necessário para que a loucura entorpecedora de seus orgulhos, vaidades e egos caiam por terra e os façam compreender que todo e qualquer ataque sofrido é decorrente de suas próprias falhas como seres divinos?

Quando que os filhos da Umbanda finalmente compreenderão que cada um receberá exatamente o que é merecedor e nada além?

Quando compreenderão que a Umbanda vem toda fundamentada para direcionar e esclarecer seus filhos, dando-lhes assim, a força e resignação necessárias para enfrentar as provas e dores para sua evolução?

Até quando as entidades de Luz precisarão conviver com tamanha ignorância e necessidade material de seus filhos de fé?

Diante disto posto eu venho pedir, que com carinho, que se pusessem a pensar item por item e reavaliem seus conceitos, condutas e preconceitos embutidos e enraizados, permitam-se evoluir através do autoconhecimento assumindo suas falhas em primeiro lugar, assumindo suas culpas e desleixos, resignando-se a fazer a colheita daquilo que plantaram, e esforçando-se para se melhorar ao invés de buscar nos outros o mal que é você mesmo.

Para terminar essa pequena reflexão; trago abaixo o trecho de um livro onde um Pai Velho discorre um pouquinho sobre este assunto.

“(...)

Não adianta pensar que os espíritos resolvem tudo, porque não resolvem. Não temos resposta para todas as perguntas, nem sequer sabemos solucionar os problemas que vocês mesmos originaram. O máximo que podemos fazer é direcionar meus filhos, mas isso não exime cada um de caminhar com as próprias pernas, com os próprios pés. É vivendo e desenvolvendo uma ação construtiva e ética diante da vida que meus filhos se sentirão ao abrigo de forças inferiores. Rezas fortes nem banhos, ebós nem sacudimentos conduzirão ao objetivo desejado se meus filhos não aprenderem a viver intensamente e com profundo respeito a espiritualidade e os conceitos de defesa psíquica.

(...)

“– Com o tempo, meus filhos – continuou o espírito milenar que se apresentava na roupagem fluídica de pai-velho –, os homens se libertarão da dependência de muletas psíquicas. Muita gente tem imensa boa vontade em sua expressão de religiosidade, mas ainda se conserva prisioneira de expressões e convicções primárias e dispensáveis no caminho da espiritualidade. Enquanto não atingem um estado de independência espiritual, reclamam elementos mais ou menos educativos, que funcionam como alavancas em sua caminhada evolutiva. Muita gente deixa de estudar e experimentar vivências superiores, libertando-se de crendices, para ficar cativa de suposições pessoais cegas, as quais carecem de comprovação. Outros indivíduos, alguns dotados mesmo de vontade firme, encontram-se presos a crenças impostas por pseudo-sábios e mestres que mantêm fascinada a multidão. Até em certas expressões religiosas louváveis encontramos pessoas prisioneiras dos efeitos quase hipnóticos de cânticos, danças e rituais esdrúxulos, que se apoiam na característica sugestionável de pessoas inseguras ou imaturas para uma vivência espiritual mais ampla.
“Mesmo sabendo disso, nós, os espíritos comprometidos com a libertação desse cativeiro da alma, utilizamos alguns poucos recursos pedagógicos que tenham significado para certas comunidades religiosas, a fim de conduzir o maior número de pessoas a livrar-se de expressões primárias de espiritualidade. Ainda não há como dispensar simbologias e um ou outro elemento que tenha representatividade para os encarnados. No entanto, aos poucos, vamos conduzindo meus filhos para a compreensão maior das leis da vida, na esperança de que, em breve, possam abdicar dos atavismos milenares que impedem voos mais altos nos céus da vida espiritual.”     

Livro:  Corpo Fechado
            Robson Pinheiro, pelos Espíritos W. Voltz e Ângelo Inácio
            Casa dos Espíritos Editora

Abraços e luz,

Mãe Solange de Iemanjá.

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