3 de nov de 2011

Doutrinação e Acordos com Entidades Umbralinas

                                      


                             Doutrinação e Acordos com Entidades Umbralinas

            Desde o início do meu desenvolvimento mediúnico venho presenciando, em trabalhos de transportes, médiuns doutrinando rabos de encruza ou sofredores, fazendo acordos com elementos materiais magísticos, para que tais entidades deixassem de obsidiar a pessoa que estava sendo tratada. Confesso que neste início, mesmo sem compreender os fundamentos e os tramites astrais, sempre estranhei demais tal conduta. Achava interessante que com apenas algumas palavras se convencessem tão rapidamente tais entidades a mudar o rumo de suas atuações, intenções e vibrações.

            As primeiras experiências que tive nesse sentido foram em sessões kardecistas onde lembro bem de como era o diálogo adotado:

            - Irmão, você está sofrendo perdido no vale de lágrimas e neste momento foi trazido para essa casa onde espíritos de luz estão prontos para lhe acolher e direcionar.

            Neste momento as entidades em questão sempre reagiam de alguma forma; gemendo, chorando, esbravejando ou simplesmente balbuciando alguma coisa. E o doutrinador continuava:

            - Acalme-se, preste atenção. Olhe para o seu lado e verá a Luz, caminhe até ela. Você está vendo a Luz?         

            A entidade respondia: - Sim, estou.

            - Então caminhe até ela sem medo e será ajudado.

            A entidade dizia: - Sim eu vou. Ou então. –Sim, estou indo.

            Por várias vezes vi esse ritual se repetir e no final, todas as entidades acabavam simplesmente obedecendo e caminhando em direção da tal luz. Alguns davam um pouquinho mais de trabalho, era necessário uma ou duas frases de convencimento a mais e por final acabava obedecendo e indo para a luz.

            Nos terreiros de Umbanda que praticam esse ritual de doutrinação, a situação é basicamente a mesma. Meia dúzia de frases decoradas e lá vão eles calmos e convencidos. Com os rabos de encruza, o ritual se modifica no sentido de oferecer elementos magísticos em troca do sossego de quem está ali pedindo ajuda. Algumas velas, flores, charutos e etc., entregues em locais determinados acabam resolvendo toda a situação.

            Diante desses rituais, mesmo sem o devido conhecimento pensava:

            - Se fosse um bandido que mostrasse toda aquela raiva determinante, poder de ataque e chegasse um policial dizendo, venha cá largue essa pessoa que está atacando que eu te darei um revolver, ou então dinheiro, ou então qualquer recompensa por seu mal feito. Que sentido teria naquilo? Como uma entidade de luz (policial) estaria contribuindo com a evolução daquela entidade maligna (bandido) se a gratifica por seus maus feitos? E ao se afastar daquela pessoa, caso aceitasse o acordo, imediatamente procuraria outra para prejudicar, já que saberia que num determinado momento seria gratificado. Isso para mim era óbvio demais, já que tal entidade não tinha compreendido o mal que faz aos outros e acima de tudo à ela mesma.

            Foram muitos os casos que vi sofredores jurando vingança por ocorridos em encarnações passadas, com ódio profundo de uma pessoa que desconhecia completamente a situação, já que supostamente a causa teria acontecido em sua vida passada. E como tanto ódio que perdurou por anos a fio, em simples frases feitas se dissiparia?

            Essas questões; carreguei no meu íntimo durante longos e bons anos de desenvolvimento, sempre observando e achando tudo isso no mínimo surreal. A resposta que eu encontrava nessa fase era a seguinte: - Isso ocorre devido a energia emanada pelas entidades da casa que trabalharam no caso.

            Eu acreditava como ainda acredito que trabalhamos realmente cercados por entidades de Luz, seguidores ferrenhos das Leis de Deus e que por isso exercem sim, muito poder energético sob todos nós (encarnados ou não), porém se a atuação deles fosse assim tão contundente, porque temos conhecimento e até presenciamos, ou então encontramos nas literaturas espírita e espiritualista, tantos casos de entidades que passam centenas de anos presos em seus desequilíbrios mental, com dor, sofrimento, desejo de vingança, ódio e desequilíbrios de toda ordem? Seria tão simples a solução para tanta dor e sofrimento, era só ir encaminhando todos esses seres aos milhares de casas kardecistas e Umbandistas onde tudo se resolveria e a caminhada evolutiva seguiria firme nos propósitos do Senhor. E porque então isso não ocorre?

            Simplesmente por uma razão. Porque isso não é possível!

            Todos os trabalhadores evoluídos, seguidores das Leis de Deus, consequentemente às respeita e às pratica rigorosamente. Nunca podemos nos esquecer, que até para receber ajuda, o ser precisa aceitar, desejar ser ajudado, ter em seu mental no mínimo um lampejo do astral superior para ter força e suplicar auxílio utilizando de seu livre arbítrio. Exatamente como eu sempre suspeitei aquelas frases e acordos, fazem parte de um conceito egocêntrico que foi enraizado nas práticas tanto kardecistas como umbandistas. Pois, se nos atentarmos em alguns breves momentos de reflexão poderemos compreender facilmente essa manifestação do ego de tais médiuns que se sentem capazes de tal atuação. A verdade é simples, quem somos nós para apontar o erro de alguém ou ordenar-lhe que siga por esse ou aquele caminho, se nem ao menos conseguimos nos recordar de nossos próprios erros em encarnações passadas? O que garante ao médium que o grau de evolução dele e que sua moral é o suficiente para tal pratica?

            Depois de muitos anos de experiências vividas, muitos aprendizados, inúmeras aulas trazidas do astral, compreendendo a função e atuação da trunqueira em um terreiro; posso afirmar que nenhuma entidade adentra um templo sem a devida “permissão” dos sentinelas guardiões da casa e orientação dos guias chefes de trabalho. Todos que são trazidos para receber o choque anímico através da incorporação em um médium durante o trabalho, certamente estão prontos para ser direcionados, já trazem em seu mental a vontade de dar continuidade a sua jornada evolutiva. Sofredores ou rabos de encruza, não importa, pois todos são filhos do Senhor e todos possuem a Graça Divina do auxílio no momento que desejarem e assim será feito através desse choque anímico trazendo um pouco mais de lucidez para a entidade que estará sendo ajudada e orientada “no astral”, ou seja, a atuação na matéria através de doutrinações e acordos torna-se completamente desnecessárias.

            Sendo assim, as entidades trabalhadoras jamais perderiam tempo com aqueles que se apreciam de suas condições inferiores, jamais se colocariam na condição de permitir que acordos fossem feitos, já que se tais entidades assim agem é por prazer em atuar através de barganhas sem interesse justo pela sua evolução. Tais entidades ao ser detectadas obsidiando àqueles que recorrem a ajuda de um terreiro, são literalmente capturas no campo astral e direcionadas para faixas de reajustes compatíveis com seus níveis vibratórios.

            Compreendam que uma das preocupações dos guias e mentores espirituais é o equilíbrio emocional e físico de seus respectivos médiuns, poupando-os de desgastes desnecessários e importantes com aqueles que ainda não estão prontos a serem ajudados através do choque anímico na incorporação realizada pelo médium e pela doação de energia magnética.

            A cada trabalho realizado, a cada aprendizado, mais e mais o Caboclo Cobra Coral vem nos alertando em relação às manifestações anímicas que ocorrem facilmente nos terreiros, por pura falta de compreensão, discernimento e conhecimento dos tramites energéticos astrais manipulados nos trabalhos. Muitas casas trazem essas práticas enraizadas no consciente e subconsciente de seus médiuns através de conceitos e condicionamentos ultrapassados que remontam de uma época em que não havia acesso às lições trazidas do astral, onde o único resultado real é a satisfação do ego e orgulho do médium doutrinador.

            Sendo assim já é tempo dos irmãos umbandistas compreender que nos terreiros de Umbanda não fazemos acordos, não compactuamos com entidades trevosas beneficiando-as com elementos magísticos de as deixaram com mais força e armas. Nós trabalhamos com a reforma íntima do ser, ensinando, educando e direcionando atuantes nas Leis Divinas.



Abraços e Luz,

Mãe Solange de Iemanjá

5 comentários:

  1. Querida Mainha, eu sempre tive esta duvida e realmente comecei a encontrar uma resposta quando aprendi no Tucal que soh entra quem eh permitido, mas nao tinha compreendido o porque o ser chegava.
    Obrigado por mais este ensinamento.

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  2. Mãe Solange de Iemanjá3 de nov de 2011 12:07:00

    Meu filho, fico muito feliz por saber que passo para vcs um pouquinho mais de conhecimento. Grande beijo no coração

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  3. Mãe Pequena Aline Bizotto3 de nov de 2011 21:21:00

    Mais um ensinamento que esclarece como certos hábitos nos levam a repetir comportamentos que resultam em animismo...

    Grande abraço

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  4. Texto muito bom, e o mais engracado foi como vim parar nesse texto rs depois te conto mãe ,
    Beijos
    Jennifer

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  5. G = Motumbá (Mukuiu)! Malê (Maleme)! Axé!!!

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