14 de nov de 2011

As sete linhas da Umbanda

                                           



  As Sete Linhas da Umbanda

            Antes de tudo é preciso dizer: - Todo aquele que se prende a um conceito paralisa sua evolução, pois ela só vem mediante os novos conhecimentos.
            Por um longo tempo as sete linhas da Umbanda foi compreendida como sendo grupos de entidades que regiam e movimentavam as energias naturais do nosso planeta. Esses grupos foram especificados hierarquicamente através dos fundamentos trazidos por Zélio Fernandino de Morais, médium do Caboclo 7 Encruzilhadas, fundador da Umbanda.

            Eram elas:

1 – Linha de Oxalá

1º Santo Antônio
            2º São Cosme e São Damião
            3º Santa Rita
            4º Santa Catarina
            5º São Expedito
            6º São Benedito
            7º São Francisco de Assis

2 – Linha de Iemanjá

            1º Sereias – Mamãe Oxum
            2º Ondinas – Nanã-Buroquê
            3º Caboclas do Mar – Indaiá
            4º Cabocla do rio – Iara
            5º Marinheiros – Tarimá
            6º Calunga – Calunguinha
            7º Estrela Guia – Santa Maria Madalena

3 – Linha de Ogum

          1º Ogum Megê – linha das almas
          2º Ogum Rompe Mato – Linha dos caboclos quimbandeiros
          3º Ogum Iara – Linha Mista
          4º Ogum Beira Mar – Linha dos caveiras
          5º Ogum Malei – Linha Malei
          6º Ogum Nagô – Linha Nagô
          7º Ogum Naruê – Linha de Mossuribe

4 – Linha de Oxóssi

         1º Caboclo Urubatão – Urubatão
         2º Caboclo Araribóia – Araribóia
         3º Caboclo 7 Encruzilhada – 7 Encruzilhada (Tupis)
         4º Caboclo Águia Branca – Águia Branca (norte americano)
         5º Caboclo Grajaúna – Grajaúna (Tamoios)
         6º Caboclo Araúna – Araúna (Guaranis)
         7º Cabocla Jurema – Jurema (caboclas)

5 – Linha de Xangô

          1º Iansã – Santa Barbara
          2º Caboclo do Sol e da Lua – Caboclo do sol e da lua
          3º Caboclo Pedra Branca – Caboclo Pedra Branca
          4º Caboclo Treme Terra – Caboclo Treme Terra
          5º Caboclo do Vento – Caboclo Vento / Ventania
          6º Caboclo das Cachoeiras – Caboclo Cachoeira
          7º Falange dos Pretos – Quenguelê

6 – Linha do Oriente

             1º Dos Indús – Zartu (Foi um Buda)
             2º Dos Médicos – José de Arimatéia
             3º Dos Árabes – Jimbaruê
             4º Dos Japoneses e chineses – Ori do Oriente
             5º Dos Egípcios – Inhoarai
             6º Dos Astecas, Maias e Incas – Itaraiaci
             7º Dos Gauleses, Romanos e Bretões – Marcus (Imperador Romano)


7 – Linha Africana

            1º Povo da Guiné – Zum Guiné
            2º Povo de Moçambique – Pai Jerônimo
            3º Povo da Costa – Pai Cambinda
            4º Povo do Congo – Rei Congo
            5º Povo de Angola – Pai José
            6º Povo de Bengala – Pai Bengala
            7º Povo de Loanda – Pai Francisco    

Dentro deste conceito, aos poucos surgiram algumas dúvidas e questionamentos, como por exemplo:-

            O Orixá é um espirito de elevada envergadura astral, sincretizado por um santo católico, porém não podendo ser comparado à ele, já que o Orixá jamais esteve encarnado no planeta, justamente devido sua elevação.

            Sendo assim, se os orixás possuem esse grau evolutivo, qual a razão de alguns serem subordinados a outros se compartilham o mesmo grau? Porque Iansã e Oxúm são equiparadas às entidades trabalhadoras ainda envoltas no ciclo reencarnatório do planeta? Porque que na linha de Oxalá os Santos Católicos prevalecem, será que na Umbanda não há representantes próprios do segmento para tal?

            Foi necessário algum tempo de trabalho dentro da Umbanda com esta formação até que naturalmente os questionamentos ocorressem e aos poucos fossem desvendados por guias chefes doutrinadores que vinham trazendo novas explicações.

E assim foram definidas durante anos as sete linhas da Umbanda até que, por através do médium Rubens Saraceni surgiu no meio umbandista uma nova perspectiva e compreensão que acabou sendo integrada e adotada por vários guias chefes de trabalho. Trata-se da compreensão de que as sete linhas da Umbanda não são entidades atuantes e sim energias que compõem, regem e sustentam nosso planeta que são manipuladas por entidades com maior elevação astral, os Orixás.

            São elas: Cristalina, Mineral, Vegetal, Aquática, Eólica, Ígnea e Telúrica.

            Como nos fundamentos trazidos pelo Rubens Saraceni há a compreensão de que o planeta Terra é bipolar, portanto regido pelas energias positivas e negativas, ele trás numa tentativa racional e lógica a seguinte composição das sete linhas da Umbanda.

            1 – Linha Cristalina

Oxalá - positivo
Oiá – negativo

            2 – Linha Mineral

Oxúm - negativo
Oxumaré – positivo

            3 – Linha Vegetal

Oxossí – positivo
Obá – negativo

            4 – Linha Ígnea

Xangô – positivo
Egunitá – negativo

            5 – Linha Eólica

Ogum – positivo
Iansã – negativo

            6 – Linha Telúrica

Ibejí – positivo
Nanã Buroquê – negativo

            7 – Linha Aquática

Iemanjá – negativo
Omulú – positivo

            Sendo assim, Rubens Saraceni, através de seus mentores, trás de uma forma racional os orixás em pares, complementares energéticos fazendo o equilíbrio entre todas as energias atuantes no planeta Terra. Porém, mais uma vez as linhas acabam se confundindo com as entidades regentes planetárias, fazendo com que os terreiros que não conheciam ou não trabalhavam com os Orixás complementares, mesmo que reconhecendo a linha de raciocínio como algo mais lógico se conservasse na postura antiga, permanecendo nas sete linhas ditadas por Zélio de Moraes.

            Assim que o TUCAL foi fundado, o Caboclo Cobra Coral, uma entidade doutrinadora, ou seja, que trás ensinamentos e novas perspectivas salientou:

            As sete linhas compreendidas por energias é hoje para vocês a melhor maneira de se entender o trabalho energético atuante através dos Orixás, porém existem outros Orixás além destes já qualificados que também integram esse trabalho. Um exemplo disso é Ossãe, Orixá das folhas e ervas que trabalha diretamente com o setor de sustentação das plantas, alimentação e cura dos seres encarnados, trazendo através das ervas remédios e alimentos. Temos também Ifá, o Orixá da adivinhação que através de sua sutil inspiração intuitiva os protege no dia a dia, entre tantos outros. Sendo assim, o mais sensato seria compreender as sete linhas da Umbanda unicamente por energias, desligando-as das entidades, pois em cada energia existe uma infinidade de trabalhadores atuantes e isso será razão suficiente para gerar discórdia entre as casas trabalhadoras da Umbanda.

            Ossãe é integrante da linha vegetal, Ifá da linha cristalina assim como tantos outros são integrantes das demais linhas. Que fique claro que cada casa trabalhará materialmente, ou seja, através de incorporações, com os Orixás que correspondem a atuação da egrégora e fluxo energético do guia chefe e da egrégora de cada casa. Sendo assim, quem já adotou por certo as sete linhas da Umbanda como sendo as sete energias não têm como obrigatoriedade trabalhar com todos os Orixás correspondentes na formação passada pelo médium Rubens Saraceni. Algumas casas não trabalharão com Egunitá ou mesmo com Omulú, por um exemplo; as entidades trabalharão na matéria apenas se fizerem parte da energia de trabalho das entidades que sustentam a casa em questão.

            Compreendam que a busca por qualificações é necessária, mas não se prendam a situações adversas na tentativa infundada de se explicar algo tão obvio. A espiritualidade é regida apenas por energia e assim é na Umbanda, todos os trabalhadores se afinizam com as energias que regem o eu de cada um e à elas se aliam em prol do bem comum.

            Sendo assim, todos os Orixás fazem parte das sete linhas da Umbanda e conforme suas atuações estão ligados diretamente a uma delas. Cada um deles tem sob sua tutela vários trabalhadores divididos hierarquicamente por chefes de falanges, guias, protetores e guardiões, também integrantes desta mesma energia.

            Compreenda que muitas coisas acontecem durante os trabalhos que os próprios seguidores da Umbanda não se dão conta, um exemplo disto é considerar o Orixá Oxalá como uma linha, mas vocês não veem cantar ponto pra Oxalá e os médiuns incorporarem trabalhadores diretamente desta linha, assim como acontece quando se canta para Ogum ou Oxossí, porém eles são atuantes nos trabalhos assim como os trabalhadores dos orixás dos quais vocês não são acostumados a lidar, como Ossãe e Ifá.

            Então, ao invés de se limitarem aos trabalhadores, se integrem às energias atuantes e tudo correrá perfeitamente bem em seus trabalhos espirituais, independentemente de se trabalhar materialmente (através de incorporações) com este ou aquele orixá.

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá.
13.11.11

2 comentários:

  1. Mãe Pequena Aline15 de nov de 2011 01:05:00

    Texto esclarecedor!

    Voltamos inclusive ao assunto das polaridades energéticas.

    Bela oportunidade de aprofundarmos nossos estudos e reflexões...

    Grande abraço,

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  2. Gostei do texto...entendi determinadas coisas com ele.
    obrigada mais uma vez por nos ajudar a esclarecer dúvidas que fica e não esclareço vou sentindo e esperando respostas. beijos Cris

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