NOSSA CASA

15 de nov de 2011

Um Centenário de Umbanda,

15 de Novembro dia da Integração da Umbanda.

 Um dia muito especial comemorando a integração da Umbanda.
Uma criança ainda nos primeiros passos! Para chegarmos até aqui foi preciso, muita luta e determinação da parte daqueles que nos antecederam.
A Umbanda vem superando todos os tipos de preconceitos e perseguições (políticas, sociais e religiosas).
Mas a luta por sua sobrevivência continua.
Uma grande ameaça paira sobre Ela nos dias atuais, e parte de seus próprios filhos. Chama-se *Vaidade*.
Por esse motivo ha algumas perguntas a serem feitas.
O que é Umbanda?
O que te move a deixar seus familiares e amigos para ir ao terreiro?
Tudo é mutável e caminha para evolução; mentes retrogradas, falta de interesse em trabalhar a evolução do seu íntimo, seu ego, etc. Tudo isso é constantemente trabalhado na Umbanda. E então vem novamente os questionamentos:
O que te leva até ao terreiro se não se propõe a essa evolução?
São as vantagens pessoais?
Troca de favores?
O julgamento de que as entidades estão aqui para resolver todo tipo de picuinhas a qualquer hora e em qualquer lugar?
Praticar favoritismo desrespeitando assim a lei do livre arbítrio?
Usar seus fundamentos para se beneficiar e mascarar suas próprias imperfeições?
Será que não é isso que muitos estão procurando na Umbanda?
O que é fazer caridade?
Ela é praticada ou esta palavra é usada pra encobrir frustrações pessoais, melindres e baixa autoestima?
A caridade começa em casa; vejo como caridade a oportunidade que a espiritualidade nos oferta de corrigir nossos vícios.  Vejo na caridade os bons ouvidos do discípulo e aluno constante. Vejo na caridade, não falsas palavras carinhosas, mas sim a corrigenda firme, severa e necessária para juntos caminharmos na luz de Oxalá.
Tão linda Nossa Mãe Amada Umbanda, porém ainda tão mal compreendida!
Mais existe uma energia que não pode ser barrada seja em qualquer campo vibratório. Está se chama Amor e Nossa Umbanda é plena desta energia.

Saravá Nossa Amada Mãe Umbanda!
Força, luz, amor e paz !
Mãe Pequena Solange Villela.

14 de nov de 2011

As sete linhas da Umbanda

                                           



  As Sete Linhas da Umbanda

            Antes de tudo é preciso dizer: - Todo aquele que se prende a um conceito paralisa sua evolução, pois ela só vem mediante os novos conhecimentos.
            Por um longo tempo as sete linhas da Umbanda foi compreendida como sendo grupos de entidades que regiam e movimentavam as energias naturais do nosso planeta. Esses grupos foram especificados hierarquicamente através dos fundamentos trazidos por Zélio Fernandino de Morais, médium do Caboclo 7 Encruzilhadas, fundador da Umbanda.

            Eram elas:

1 – Linha de Oxalá

1º Santo Antônio
            2º São Cosme e São Damião
            3º Santa Rita
            4º Santa Catarina
            5º São Expedito
            6º São Benedito
            7º São Francisco de Assis

2 – Linha de Iemanjá

            1º Sereias – Mamãe Oxum
            2º Ondinas – Nanã-Buroquê
            3º Caboclas do Mar – Indaiá
            4º Cabocla do rio – Iara
            5º Marinheiros – Tarimá
            6º Calunga – Calunguinha
            7º Estrela Guia – Santa Maria Madalena

3 – Linha de Ogum

          1º Ogum Megê – linha das almas
          2º Ogum Rompe Mato – Linha dos caboclos quimbandeiros
          3º Ogum Iara – Linha Mista
          4º Ogum Beira Mar – Linha dos caveiras
          5º Ogum Malei – Linha Malei
          6º Ogum Nagô – Linha Nagô
          7º Ogum Naruê – Linha de Mossuribe

4 – Linha de Oxóssi

         1º Caboclo Urubatão – Urubatão
         2º Caboclo Araribóia – Araribóia
         3º Caboclo 7 Encruzilhada – 7 Encruzilhada (Tupis)
         4º Caboclo Águia Branca – Águia Branca (norte americano)
         5º Caboclo Grajaúna – Grajaúna (Tamoios)
         6º Caboclo Araúna – Araúna (Guaranis)
         7º Cabocla Jurema – Jurema (caboclas)

5 – Linha de Xangô

          1º Iansã – Santa Barbara
          2º Caboclo do Sol e da Lua – Caboclo do sol e da lua
          3º Caboclo Pedra Branca – Caboclo Pedra Branca
          4º Caboclo Treme Terra – Caboclo Treme Terra
          5º Caboclo do Vento – Caboclo Vento / Ventania
          6º Caboclo das Cachoeiras – Caboclo Cachoeira
          7º Falange dos Pretos – Quenguelê

6 – Linha do Oriente

             1º Dos Indús – Zartu (Foi um Buda)
             2º Dos Médicos – José de Arimatéia
             3º Dos Árabes – Jimbaruê
             4º Dos Japoneses e chineses – Ori do Oriente
             5º Dos Egípcios – Inhoarai
             6º Dos Astecas, Maias e Incas – Itaraiaci
             7º Dos Gauleses, Romanos e Bretões – Marcus (Imperador Romano)


7 – Linha Africana

            1º Povo da Guiné – Zum Guiné
            2º Povo de Moçambique – Pai Jerônimo
            3º Povo da Costa – Pai Cambinda
            4º Povo do Congo – Rei Congo
            5º Povo de Angola – Pai José
            6º Povo de Bengala – Pai Bengala
            7º Povo de Loanda – Pai Francisco    

Dentro deste conceito, aos poucos surgiram algumas dúvidas e questionamentos, como por exemplo:-

            O Orixá é um espirito de elevada envergadura astral, sincretizado por um santo católico, porém não podendo ser comparado à ele, já que o Orixá jamais esteve encarnado no planeta, justamente devido sua elevação.

            Sendo assim, se os orixás possuem esse grau evolutivo, qual a razão de alguns serem subordinados a outros se compartilham o mesmo grau? Porque Iansã e Oxúm são equiparadas às entidades trabalhadoras ainda envoltas no ciclo reencarnatório do planeta? Porque que na linha de Oxalá os Santos Católicos prevalecem, será que na Umbanda não há representantes próprios do segmento para tal?

            Foi necessário algum tempo de trabalho dentro da Umbanda com esta formação até que naturalmente os questionamentos ocorressem e aos poucos fossem desvendados por guias chefes doutrinadores que vinham trazendo novas explicações.

E assim foram definidas durante anos as sete linhas da Umbanda até que, por através do médium Rubens Saraceni surgiu no meio umbandista uma nova perspectiva e compreensão que acabou sendo integrada e adotada por vários guias chefes de trabalho. Trata-se da compreensão de que as sete linhas da Umbanda não são entidades atuantes e sim energias que compõem, regem e sustentam nosso planeta que são manipuladas por entidades com maior elevação astral, os Orixás.

            São elas: Cristalina, Mineral, Vegetal, Aquática, Eólica, Ígnea e Telúrica.

            Como nos fundamentos trazidos pelo Rubens Saraceni há a compreensão de que o planeta Terra é bipolar, portanto regido pelas energias positivas e negativas, ele trás numa tentativa racional e lógica a seguinte composição das sete linhas da Umbanda.

            1 – Linha Cristalina

Oxalá - positivo
Oiá – negativo

            2 – Linha Mineral

Oxúm - negativo
Oxumaré – positivo

            3 – Linha Vegetal

Oxossí – positivo
Obá – negativo

            4 – Linha Ígnea

Xangô – positivo
Egunitá – negativo

            5 – Linha Eólica

Ogum – positivo
Iansã – negativo

            6 – Linha Telúrica

Ibejí – positivo
Nanã Buroquê – negativo

            7 – Linha Aquática

Iemanjá – negativo
Omulú – positivo

            Sendo assim, Rubens Saraceni, através de seus mentores, trás de uma forma racional os orixás em pares, complementares energéticos fazendo o equilíbrio entre todas as energias atuantes no planeta Terra. Porém, mais uma vez as linhas acabam se confundindo com as entidades regentes planetárias, fazendo com que os terreiros que não conheciam ou não trabalhavam com os Orixás complementares, mesmo que reconhecendo a linha de raciocínio como algo mais lógico se conservasse na postura antiga, permanecendo nas sete linhas ditadas por Zélio de Moraes.

            Assim que o TUCAL foi fundado, o Caboclo Cobra Coral, uma entidade doutrinadora, ou seja, que trás ensinamentos e novas perspectivas salientou:

            As sete linhas compreendidas por energias é hoje para vocês a melhor maneira de se entender o trabalho energético atuante através dos Orixás, porém existem outros Orixás além destes já qualificados que também integram esse trabalho. Um exemplo disso é Ossãe, Orixá das folhas e ervas que trabalha diretamente com o setor de sustentação das plantas, alimentação e cura dos seres encarnados, trazendo através das ervas remédios e alimentos. Temos também Ifá, o Orixá da adivinhação que através de sua sutil inspiração intuitiva os protege no dia a dia, entre tantos outros. Sendo assim, o mais sensato seria compreender as sete linhas da Umbanda unicamente por energias, desligando-as das entidades, pois em cada energia existe uma infinidade de trabalhadores atuantes e isso será razão suficiente para gerar discórdia entre as casas trabalhadoras da Umbanda.

            Ossãe é integrante da linha vegetal, Ifá da linha cristalina assim como tantos outros são integrantes das demais linhas. Que fique claro que cada casa trabalhará materialmente, ou seja, através de incorporações, com os Orixás que correspondem a atuação da egrégora e fluxo energético do guia chefe e da egrégora de cada casa. Sendo assim, quem já adotou por certo as sete linhas da Umbanda como sendo as sete energias não têm como obrigatoriedade trabalhar com todos os Orixás correspondentes na formação passada pelo médium Rubens Saraceni. Algumas casas não trabalharão com Egunitá ou mesmo com Omulú, por um exemplo; as entidades trabalharão na matéria apenas se fizerem parte da energia de trabalho das entidades que sustentam a casa em questão.

            Compreendam que a busca por qualificações é necessária, mas não se prendam a situações adversas na tentativa infundada de se explicar algo tão obvio. A espiritualidade é regida apenas por energia e assim é na Umbanda, todos os trabalhadores se afinizam com as energias que regem o eu de cada um e à elas se aliam em prol do bem comum.

            Sendo assim, todos os Orixás fazem parte das sete linhas da Umbanda e conforme suas atuações estão ligados diretamente a uma delas. Cada um deles tem sob sua tutela vários trabalhadores divididos hierarquicamente por chefes de falanges, guias, protetores e guardiões, também integrantes desta mesma energia.

            Compreenda que muitas coisas acontecem durante os trabalhos que os próprios seguidores da Umbanda não se dão conta, um exemplo disto é considerar o Orixá Oxalá como uma linha, mas vocês não veem cantar ponto pra Oxalá e os médiuns incorporarem trabalhadores diretamente desta linha, assim como acontece quando se canta para Ogum ou Oxossí, porém eles são atuantes nos trabalhos assim como os trabalhadores dos orixás dos quais vocês não são acostumados a lidar, como Ossãe e Ifá.

            Então, ao invés de se limitarem aos trabalhadores, se integrem às energias atuantes e tudo correrá perfeitamente bem em seus trabalhos espirituais, independentemente de se trabalhar materialmente (através de incorporações) com este ou aquele orixá.

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá.
13.11.11

9 de nov de 2011




Níveis Vibracionais – Evolução

            Diante do testemunho da mãe pequena Solange Vilella; vou passar um pequeno, porém importante, ensinamento que o Caboclo Cobra Coral passou.

            No planeta Terra, convivemos cotidianamente com inúmeras pessoas de nível vibracional diferente do nosso. Olhando friamente para as pessoas poderemos observar grupos mais ou menos esclarecidos, intelectualizados, sensibilizados, humanizados e evoluídos. Sendo assim, conforme foi dito por Jesus em sua passagem terrena:- “Não haverá um só rebanho e nem um só pastor”. Ele deixa clara a necessidade de haver vários seguimentos religiosos e dentro de cada um, níveis diferenciados também, para poder atender todos os degraus evolutivos daqueles que tem afinidade àquele segmento.

            Compreendendo que os níveis vibracionais são de suma importância para a evolução do ser, fica fácil encarar com naturalidade todo e qualquer tipo de seguimento e suas vertentes. Vou usar um exemplo comum. As pessoas que seguem rituais de magia negra são constantemente combatidas e malditas, no sentido literal da palavra, por aqueles que possuem um grau evolutivo maior (que hoje já é a grande maioria no planeta) contra seus atos e rituais, que interferem diretamente no livre arbítrio e preservação física do próximo, porém a compreensão nos faz ver que esse seguimento realmente ainda é necessário existir para aos poucos lapidar e direcionar aqueles que se integram nesta faixa vibracional.

            Como já foi dito em outras postagens, a religião nada mais é do que o freio para os maus instintos do ser humano, que leva cada um de uma forma ou de outra a ir se espiritualizando e buscando os ensinamentos e leis do Pai Maior. Essa regra cabe também para todos os segmentos esotéricos e qualquer outro que busque essa inteiração espiritual.

            Voltando a magia negra; mesmo ela sendo negativa, por infringir as Leis Divinas, também é uma forma de se manter contato com a espiritualidade, apesar de inferior e através desse contato é que se faz o canal para que a espiritualidade superior atue através de experiências mal sucedidas, desilusões, etc., para fazer com que aquelas pessoas seguidoras dessas doutrinas, já que os iguais que se atraem, reavaliem suas condutas e escolhas retomando a jornada evolutiva.

            O melhor exemplo que tenho para dar a respeito do que estou falando é a passagem de Jesus Cristo pela Terra, onde foi condenado e brutalmente executado por aqueles que não possuíam evolução suficiente para compreendê-lo e assim foi feito. Um ato horrível diante dos olhares daqueles que já possuiam pelo menos o mínimo de inteiração com o astral superior, porém foi justamente o ato insano e brutal que perpetuou sua mensagem e a disseminou entre todos os povos. Não fossem tantas traições, tanto sofrimento e injustiças cometidas, certamente suas mensagens teriam sido sepultadas juntamente com seu corpo.

            Podemos ver então que o dizer: - Deus escreve certo por linhas tortas, se aplica constantemente no ciclo evolutivo da humanidade e dentro da Umbanda não poderia ser diferente. É por esta razão, que mesmo dentro de uma mesma religião, existem várias casas em níveis evolutivos e vibracionais diferentes, tudo dependendo da evolução de seu dirigente e entidade atuante. Como a evolução é uma constante e é uma obrigatoriedade das Leis Divinas, não é raro ver que a casa de um filho se encontra em condições de evolução melhores do que a casa onde ele se desenvolveu, mesmo que conserve grande parte dos fundamentos aprendidos.

            Sendo assim, todos os dirigentes dos terreiros de Umbanda, deveriam trazer como certo o tempo de cada um em sua casa. Pois cada terreiro é como se fosse uma escola, onde se é cursado até um determinado ponto, tendo que trocá-la para poder dar continuidade ao aprendizado já iniciado (palavras da mãe pequena Solange Villela). Essa é a única razão pela qual existem tantas mudanças de filhos de uma casa para outra, justificadas por situações e acontecimentos materiais, mas que na verdade é unicamente o ajuste da energia pessoal de cada um, que já não é mais compatível com a casa onde se encontra. Isso pode ocorrer nos dois níveis, tanto o filho pode chegar num momento que sua evolução pede mais do que é dado na casa, quanto depois de um determinado tempo (que costuma não ser muito longo) a energia da casa conflita com aquele que ainda não alcançou o estágio evolutivo que está atuante nela e ele se vai.

            Depois de ter realmente compreendido isso, confesso que minhas preocupações referentes ao giro dos filhos pela minha casa é algo que não existe mais, fazendo da minha jornada algo mais leve.



Abraços e Luz,

Mãe Solange de Iemanjá.

6 de nov de 2011

Caminhada Evolutiva



Tivemos a oportunidade de encarnar e reassumirmos nosso compromisso de evoluir atrás do aprendizado na jornada terrena.

Muitos, retomando compromisso que em autrora desviaram o caminho outros dando continuidade no estudo através da prática, seja na vida cotidiana ou na missão espiritual.

Nasci em uma família católica base do meu alicerce para conhecer o Cristo. Em dado momento conheci uma pessoa que se dizia trabalhar na Umbanda porem uma casa de índole duvidosa a qual me deixei envolver, fazendo uso de uma fé cega sem raciocínio. Como muitos o meu despertar foi doloroso, porém muito útil para minha conduta moral. Vejo hoje o como tenho que ser grata até mesmo pelas escolhas que aparentemente me levaram ao sofrimento, mas que no fundo era apenas um recurso que a espiritualidade me deu para meu aprendizado.

Decepcionada então com o rumo que dei a minha vida, encontrei na doutrina de Kardec o alento e o conforto e a base para meu desenvolvimento mediúnico. Nunca poderia imaginar que um dia me tornaria Umbandista.

Como muitos falam, quando é chegada a hora não fugimos ao compromisso.

Fui levada ao templo de Umbanda Caboclo 7 flechas em busca de equilíbrio da saúde de meu filho e la fiquei por dez anos, onde minha fé foi renovada e descobri que  a Umbanda faz parte da minha essência.

As primeiras escolas, nunca esquecemos e do nosso primeiro professor guardamos sua imagem e carinho por toda vida.

Meu desligamento da casa foi muito difícil, pois como uma pessoa que já cursou o ensino fundamental é chegado o momento de mudar de escola e não aceita a mudança, não quer deixar seus mestres e amigos.

Mais uma oportunidade que a espiritualidade me deu pra trabalhar o desapego amar, libertar e deixar livre, não cobrar e aceitar o outro respeitando sua individualidade.

Deixei a casa da minha Mãe Izaura pra sair para o desconhecido, porém com todos seus ensinamentos e exemplos. Sai pela vida sem rumo, mais com muita vontade de vencer e por em pratica tudo que meus mestres me ensinaram.

Em minha caminha reencontrei minha irmã de coração Solange e adentrei ao Templo de Umbanda Caminho da Luz. Coincidência ou não o mesmo nome da primeira casa Kardec que freqüentei.

Fui acolhida com muito amor e agradeço a oportunidade que a cada dia se faz  presente, de aprender e de levar o que aprendi com a Corrente do caboclo 7 flechas e minha amada Madrinha Izaura.

Os caminhos para o aprendizado nem sempre são fáceis às vezes nos levam para longe de pessoas que amamos, mas, no fim da jornada vai nos reunir na luz de Oxalá.

Hoje meu coração está em festa retornei a minha casa de origem, revi meus mestres e irmãos, senti novamente aquela energia maravilhosa que faz parte da minha vida e que levarei por toda ela.

Sei que a caminhada é longa e por vezes difícil, mas a única maneira de ser grata por tudo que recebi e recebo da espiritualidade é não me desviar do caminho, trabalhar e semear o amor que nunca me faltou.

Amor, paz, força e luz!

Mãe pequena,

 Solange Villela.     

3 de nov de 2011

Doutrinação e Acordos com Entidades Umbralinas

                                      


                             Doutrinação e Acordos com Entidades Umbralinas

            Desde o início do meu desenvolvimento mediúnico venho presenciando, em trabalhos de transportes, médiuns doutrinando rabos de encruza ou sofredores, fazendo acordos com elementos materiais magísticos, para que tais entidades deixassem de obsidiar a pessoa que estava sendo tratada. Confesso que neste início, mesmo sem compreender os fundamentos e os tramites astrais, sempre estranhei demais tal conduta. Achava interessante que com apenas algumas palavras se convencessem tão rapidamente tais entidades a mudar o rumo de suas atuações, intenções e vibrações.

            As primeiras experiências que tive nesse sentido foram em sessões kardecistas onde lembro bem de como era o diálogo adotado:

            - Irmão, você está sofrendo perdido no vale de lágrimas e neste momento foi trazido para essa casa onde espíritos de luz estão prontos para lhe acolher e direcionar.

            Neste momento as entidades em questão sempre reagiam de alguma forma; gemendo, chorando, esbravejando ou simplesmente balbuciando alguma coisa. E o doutrinador continuava:

            - Acalme-se, preste atenção. Olhe para o seu lado e verá a Luz, caminhe até ela. Você está vendo a Luz?         

            A entidade respondia: - Sim, estou.

            - Então caminhe até ela sem medo e será ajudado.

            A entidade dizia: - Sim eu vou. Ou então. –Sim, estou indo.

            Por várias vezes vi esse ritual se repetir e no final, todas as entidades acabavam simplesmente obedecendo e caminhando em direção da tal luz. Alguns davam um pouquinho mais de trabalho, era necessário uma ou duas frases de convencimento a mais e por final acabava obedecendo e indo para a luz.

            Nos terreiros de Umbanda que praticam esse ritual de doutrinação, a situação é basicamente a mesma. Meia dúzia de frases decoradas e lá vão eles calmos e convencidos. Com os rabos de encruza, o ritual se modifica no sentido de oferecer elementos magísticos em troca do sossego de quem está ali pedindo ajuda. Algumas velas, flores, charutos e etc., entregues em locais determinados acabam resolvendo toda a situação.

            Diante desses rituais, mesmo sem o devido conhecimento pensava:

            - Se fosse um bandido que mostrasse toda aquela raiva determinante, poder de ataque e chegasse um policial dizendo, venha cá largue essa pessoa que está atacando que eu te darei um revolver, ou então dinheiro, ou então qualquer recompensa por seu mal feito. Que sentido teria naquilo? Como uma entidade de luz (policial) estaria contribuindo com a evolução daquela entidade maligna (bandido) se a gratifica por seus maus feitos? E ao se afastar daquela pessoa, caso aceitasse o acordo, imediatamente procuraria outra para prejudicar, já que saberia que num determinado momento seria gratificado. Isso para mim era óbvio demais, já que tal entidade não tinha compreendido o mal que faz aos outros e acima de tudo à ela mesma.

            Foram muitos os casos que vi sofredores jurando vingança por ocorridos em encarnações passadas, com ódio profundo de uma pessoa que desconhecia completamente a situação, já que supostamente a causa teria acontecido em sua vida passada. E como tanto ódio que perdurou por anos a fio, em simples frases feitas se dissiparia?

            Essas questões; carreguei no meu íntimo durante longos e bons anos de desenvolvimento, sempre observando e achando tudo isso no mínimo surreal. A resposta que eu encontrava nessa fase era a seguinte: - Isso ocorre devido a energia emanada pelas entidades da casa que trabalharam no caso.

            Eu acreditava como ainda acredito que trabalhamos realmente cercados por entidades de Luz, seguidores ferrenhos das Leis de Deus e que por isso exercem sim, muito poder energético sob todos nós (encarnados ou não), porém se a atuação deles fosse assim tão contundente, porque temos conhecimento e até presenciamos, ou então encontramos nas literaturas espírita e espiritualista, tantos casos de entidades que passam centenas de anos presos em seus desequilíbrios mental, com dor, sofrimento, desejo de vingança, ódio e desequilíbrios de toda ordem? Seria tão simples a solução para tanta dor e sofrimento, era só ir encaminhando todos esses seres aos milhares de casas kardecistas e Umbandistas onde tudo se resolveria e a caminhada evolutiva seguiria firme nos propósitos do Senhor. E porque então isso não ocorre?

            Simplesmente por uma razão. Porque isso não é possível!

            Todos os trabalhadores evoluídos, seguidores das Leis de Deus, consequentemente às respeita e às pratica rigorosamente. Nunca podemos nos esquecer, que até para receber ajuda, o ser precisa aceitar, desejar ser ajudado, ter em seu mental no mínimo um lampejo do astral superior para ter força e suplicar auxílio utilizando de seu livre arbítrio. Exatamente como eu sempre suspeitei aquelas frases e acordos, fazem parte de um conceito egocêntrico que foi enraizado nas práticas tanto kardecistas como umbandistas. Pois, se nos atentarmos em alguns breves momentos de reflexão poderemos compreender facilmente essa manifestação do ego de tais médiuns que se sentem capazes de tal atuação. A verdade é simples, quem somos nós para apontar o erro de alguém ou ordenar-lhe que siga por esse ou aquele caminho, se nem ao menos conseguimos nos recordar de nossos próprios erros em encarnações passadas? O que garante ao médium que o grau de evolução dele e que sua moral é o suficiente para tal pratica?

            Depois de muitos anos de experiências vividas, muitos aprendizados, inúmeras aulas trazidas do astral, compreendendo a função e atuação da trunqueira em um terreiro; posso afirmar que nenhuma entidade adentra um templo sem a devida “permissão” dos sentinelas guardiões da casa e orientação dos guias chefes de trabalho. Todos que são trazidos para receber o choque anímico através da incorporação em um médium durante o trabalho, certamente estão prontos para ser direcionados, já trazem em seu mental a vontade de dar continuidade a sua jornada evolutiva. Sofredores ou rabos de encruza, não importa, pois todos são filhos do Senhor e todos possuem a Graça Divina do auxílio no momento que desejarem e assim será feito através desse choque anímico trazendo um pouco mais de lucidez para a entidade que estará sendo ajudada e orientada “no astral”, ou seja, a atuação na matéria através de doutrinações e acordos torna-se completamente desnecessárias.

            Sendo assim, as entidades trabalhadoras jamais perderiam tempo com aqueles que se apreciam de suas condições inferiores, jamais se colocariam na condição de permitir que acordos fossem feitos, já que se tais entidades assim agem é por prazer em atuar através de barganhas sem interesse justo pela sua evolução. Tais entidades ao ser detectadas obsidiando àqueles que recorrem a ajuda de um terreiro, são literalmente capturas no campo astral e direcionadas para faixas de reajustes compatíveis com seus níveis vibratórios.

            Compreendam que uma das preocupações dos guias e mentores espirituais é o equilíbrio emocional e físico de seus respectivos médiuns, poupando-os de desgastes desnecessários e importantes com aqueles que ainda não estão prontos a serem ajudados através do choque anímico na incorporação realizada pelo médium e pela doação de energia magnética.

            A cada trabalho realizado, a cada aprendizado, mais e mais o Caboclo Cobra Coral vem nos alertando em relação às manifestações anímicas que ocorrem facilmente nos terreiros, por pura falta de compreensão, discernimento e conhecimento dos tramites energéticos astrais manipulados nos trabalhos. Muitas casas trazem essas práticas enraizadas no consciente e subconsciente de seus médiuns através de conceitos e condicionamentos ultrapassados que remontam de uma época em que não havia acesso às lições trazidas do astral, onde o único resultado real é a satisfação do ego e orgulho do médium doutrinador.

            Sendo assim já é tempo dos irmãos umbandistas compreender que nos terreiros de Umbanda não fazemos acordos, não compactuamos com entidades trevosas beneficiando-as com elementos magísticos de as deixaram com mais força e armas. Nós trabalhamos com a reforma íntima do ser, ensinando, educando e direcionando atuantes nas Leis Divinas.



Abraços e Luz,

Mãe Solange de Iemanjá