NOSSA CASA

27 de out. de 2011

Doce ilusão que nos afasta do nosso caminho

O assunto que gostaria de expor, é corriqueiro e costuma ser muito comentando nas correntes umbandistas e nas demais casas religiosas, mas creio que é importante e oportuno.

Tenho observado a postura da assistência e a euforia dos filhos quando entram para a corrente de filhos de fé.

Quando uma pessoa chega num Templo, ela se encanta com a organização, com os filhos todos alinhados de branco, a beleza das guias, o altar com imagens conhecidas e ornamentado com flores, o aroma das ervas da defumação, os lindos pontos cantados ao som dos atabaques...

Aquela corrente cantando sorrindo, encanta e faz o filho da assistência pensar: “Nossa, como é lindo ser umbandista, todos felizes, a vida deve ser uma maravilha, os guias devem ajudar muito a sua corrente e livrar os problemas daqueles que nela trabalham”.

Realmente é encantador, acolhedor, aquece e conforta o coração como um abraço carinhoso, como um colo.

Assim, muitos filhos se sentem tocados e chamados a fazer parte do grupo, acreditando que sua vida vai mudar e melhorar como num passe de mágica.

Daí o filho entra na corrente, veste o branco, feliz e com uma força e animação que o faz forte e se sentir imune a todo e qualquer tipo de problema, se sentido protegido e capaz de vencer qualquer problema e provação.

Isso, até que chega o primeiro problema ou a primeira provação no seu orgulho e na sua vaidade, muitas vezes dentro da própria corrente.

Daí o filho se sente revoltado e ferido, e questiona: como pode? Depois que entrei na corrente, as situações ruins que tinham amenizado, agora voltam com mais intensidade? Onde estão os guias que não me livram desse problema?

No mesmo lugar....você pode estar enganado...

Peraí....então você está me dizendo que ao fazer parte de uma corrente umbandista ao invés de melhorar a minha vida, ela vai piorar?

Claro que não, você sem dúvida vai fazer parte de uma egrégora espiritual que o protegerá e lhe dará muita força em sua jornada.

Mas, isso não quer dizer que você será poupado dos problemas, do seu carma e de tudo que você precisa vivenciar para melhor compreender as leis de Deus!!!

Por acaso você acha mesmo que pode tratar sua religião ou os guias espirituais como uma moeda de troca, onde você vai lá bonitinho de branco, que Eles terão a obrigação de livrá-los de todos os seus problemas e passar a mão na sua cabeça?

Sim, é assim que muitas pessoas pensam sim!

Triste engano.

O que você realmente vai ter é uma proteção muito grande, e todo um grupo de espíritos comprometidos com a Luz o protegendo e orientando para que você se empenhe em ser alguém melhor, que você estude, aprenda, seja forte, correto e tenha uma vida digna, para que assim tenha o equilíbrio e força necessários para enfrentar os momentos menos felizes de sua vida.

Em nosso Templo, no momento em que o filho chega diante do Guia Chefe, o Caboclo Cobra Coral e pede para fazer parte de nossa corrente, é sempre avisado: você a partir de hoje nunca mais estará sozinho, mas será provado em seu orgulho e vaidade.

E sabemos que mais cedo ou mais tarde essa provação chega, e muitas vezes é nesse momento que o filho sucumbe e esbraveja questionando, onde estão so guias?

Queridos filhos, os guias estão onde sempre estiveram, como a sua fé e sua força devem estar onde nunca deveriam ter saído: dentro de você, no seu coração e na sua vontade e convicção de ser alguém melhor, em vencer a si próprio, às suas próprias mazelas e de se fazer forte diante de todas as provações de sua vida.

Haverá também uma corrente material que o ajudará a aprender mais, e dentro dela encontrará pessoas que terá muita afinidade, e outras nem tanto, e que assim aprenderá a conviver com diferenças e aprender a ser flexível com cada uma delas.

Em nosso caminho, nenhuma oportunidade de aprendizado é perdida, e geralmente nas situações de dor, de aflição e desconforto é que aprendemos a nos fazer fortes e controlados para melhor enfrentar os nossos problemas.

É justamente nas situações do dia a dia, nas pequenas coisas que nos irritam é que vamos assimilando e aprendendo a ser mais toleráveis, mais pacientes, mais persistentes.

Como disse há poucos dias nossa querida Baiana Rosa Flor, através da mediunidade da Mãe Solange: “se a Umbanda nos livrasse de todos os problemas, pra que existiriam outras religiões?.”

Até por isso, não estou afirmando que a Umbanda é o único caminho, pelo contrário creio na Universalidade da atuação de Deus e na função de cada religião na evolução e aprendizado da humanidade e respeito cada uma delas.

Por isso, filhos e irmãos de fé, que Oxalá nos ajude a nos manter fortes em nosso caminho e em nossa Fé, para levantarmos a cada tombo, confiantes na Justiça Divina e no amor infinito de Deus.

Mãe Pequena Aline
27/10/11

19 de out. de 2011


Conduta Moral e Religião

            A Umbanda, assim como qualquer outra religião, exige de seus seguidores uma conduta moral reta, dentro dos ensinamentos de Deus.

            Os fiéis vão a busca de uma religião por livre e espontânea vontade, seja por conta de uma situação difícil e de sofrimento ou por uma busca espiritual. No caso da Umbanda, grande maioria vai a busca de ajuda e consolo em momentos determinantes de sofrimento em suas vidas e diante da ajuda alcançada, gratos, tronam-se seguidores.

            A Umbanda não questiona o passado das pessoas, e nem se elas já pertencem a qualquer outro seguimento. Em primeiro lugar o caso é analisado e as pessoas são direcionadas e aconselhadas dentro de suas necessidades. Sendo assim, qualquer pessoa é recebida e atendida com fraternidade, porém ao se manifestar a vontade de se fazer parte do corpo mediúnico uma conduta moral reta será exigida com rigor dessa pessoa, que além de pregar a conduta moral reta, terá que cumprir o mínimo exigido.

            Como os trabalhos se realizam em conjunto com entidades de luz é necessário se observar tal conduta, pois antes de qualquer coisa exige-se do médium que se eleve vibracionalmente para que seja feita a integração entre entidade e médium para trabalhar em prol dos necessitados.

            Temos a consciência de que nenhuma pessoa encarnada no planeta Terra alcançará o patamar moral de um anjo ou santo, porém sabemos que regras básicas deverão ser seguidas com rigor. Um médium não tem o direito de se colocar em situações como: Adultério e conduta desenfreada sexualmente, roubo ou qualquer outra forma de prejudicar alguém materialmente, vícios como o alcoolismo e drogas, frequentar locais duvidosos e etc. Enfim, o básico que qualquer cidadão de bem conhece e que à mais de 2000 anos foi ensinado por Jesus Cristo.

            As pessoas que ainda se encontram nesse quadro inferior, serão prontamente atendidas e recebidas pela Umbanda na tentativa fraternal de fazê-lo despertar para o caminho correto e único, porém enquanto essas pessoas não conseguirem se livrar desses instintos inferiores não terão condições de fazer parte do corpo mediúnico, alcançando esse direito assim que fizer a escolha correta através de seu livre arbítrio, pois todas as condições necessárias serão entregues e ensinadas para que se alcance essa condição.

            Convém também a analise da personalidade de quem busca pelo trabalho mediúnico, seus dramas emocionais e psicológicos, já que muitas pessoas com sentimentos de frustações vividas encontram no trabalho mediúnico uma forma de se fazer respeitar, admirar e obedecer, alimentando seus egos e vaidades, fazendo do seu trabalho uma fonte para conquistarem o que desejam; fatores que estão distantes da verdadeira atuação espiritual.

            A compreensão de que o trabalho mediúnico se dá através da parceria entre médium e entidade, onde conselhos e direcionamentos serão passados para aqueles que recorrem aos trabalhos de Umbanda é o bastante para entender a importância da conduta moral daqueles que vestem o branco em nome de Oxalá. O médium é o espelho da doutrina mostrando através de seus exemplos o caminho a ser seguido.

            Esta seleção de trabalhadores em momento algum se trate de exclusão ou de julgamentos e sim o cuidado necessário para se manter uma aura energética elevada e esta lição também foi trazida pelo Senhor ao dizer: Me diga com quem tu andas que te direi quem és. Ou seja, não recusamos tratamento e acolhimento a ninguém, porém toda casa que trabalha com seriedade tem o cuidado de manter o mínimo necessário para a ligação com energias superiores, através da conduta de seus integrantes.



Abraços e Luz,

Mãe Solange de Iemanjá.

13 de out. de 2011

"Senhor, que eu possa ter dicernimento e sabedoria para avaliar os momentos da minha vida e assim jamais sair de sua estrada."

A Energia e o Eu

            Após muitas explicações e aulas trazidas pelo Caboclo Cobra Coral e sua equipe de trabalho e também várias confirmações através de obras e textos de outros médiuns, conclui que não há como compreender a vida ou até mesmo Deus se não pensarmos pela lei da energia.

            Tudo e absolutamente tudo é energia, seja ela magnética, elétrica, atômica, astral e etc., algo que compreendi é que em todas as modalidades e formas energéticas para fazer funcionar ou ligar algo é necessário obter as duas polaridades, negativa e positiva ou então se posicionar em uma delas para se transformar em uma extensão dela mesma.

            Não há como melhorar sua vida, seja em qualquer setor, se a pessoa maldisser ou lamentar o infortúnio vivido. A pessoa que se encontra adoentada jamais ficará sã se passar os seus dias se lamentando pela doença ou então se valendo dela para conseguir benefícios de outras pessoas, pois assim ela estará se transformando em uma extensão da própria doença.

Nos dias de hoje o stress e a depressão são comuns em nosso meio, porém grande parte das pessoas que sofrem desse mal, na verdade são pessoas extremamente egoístas, orgulhosas, vaidosas e controladoras.

            O egoísmo é tão exacerbado que inibi sua razão, fazendo com que ela se mantenha na condição de doente para alcançar seus objetivos como: atenção, elogios e que seus desejos sejam satisfeitos. Percebam que as pessoas que assim se colocam, estressadas ou deprimidas, conseguem manipular todos a sua volta.

Exemplo da pessoa estressada:- Não conte isso ou aquilo para tal pessoa porque ela é nervosa e se souber ficará irritada. Faça isso desta maneira porque senão a pessoa estressada ficará brava. Vamos para tal lugar porque a pessoa estressada gosta, assim teremos um passeio gostoso, já que lá ela se sentirá bem. Ou seja, o stress e a ira causada por essa condição, na verdade faz com todos seus desejos se satisfaçam e realizem além de poupá-la de muitos aborrecimentos.

Exemplo da pessoa deprimida:- Não fica assim, você é tão legal, tem uma família linda, todos nós te amamos. Diga pra mim, o que eu posso fazer pra te fazer feliz? Porque eu te amo e não quero te ver assim. Pense no lado bom, você é inteligente, tem uma vida boa, todos te amam. Você é uma ótima mãe ou um ótimo pai, sua família precisa de você. Ou seja, da mesma forma ela é poupada de aborrecimentos, tem seus desejos realizados tudo com o pretexto de não piorar o estado emocional desta pessoa. E neste caso, existem ainda aqueles onde as pessoas que os rodeiam já se cansaram de tanta tristeza e insatisfações enxabidas e passam a dar “broncas”, dizendo: Pare com isso, você não tem do que reclamar, sua vida é boa, tem uma família perfeita, todos te adoram e sofrem por te ver assim, etc e etc, como puderam ver, mesmo embaixo de broncas, elas acabam tendo as atenções voltadas para ela e continuam ouvindo toda sorte de elogios que satisfazem a vaidade e o ego.

Na verdade, essa condição, é uma faixa energética que vampiriza todos a sua volta e essa faixa é sustentada pela satisfação em drenar as forças energéticas emocionais de seus familiares e amigos, o que é um comportamento normal dessas pessoas que não se importam com nada e nem com ninguém. Mesmo quando se dizem sofredoras e cansadas dessa condição isso nada mais é do que mais uma forma de continuarem mantendo o ciclo de controle e manipulação de seus familiares e amigos que se curvam aos seus caprichos por se apiedarem de suas dores.

Deus, em seu projeto Divino, fez com que tudo a nossa volta existisse com o objetivo único e exclusivo de nos ajudar a conquistar nossa evolução, ou seja, o Cosmo conspira ininterruptamente para que isso aconteça, só há um obstáculo nessa trajetória, que é o livre arbítrio de cada um.

Quando nos deparamos com situações parecidas, devemos saber que a escolha de faixa vibratória dessas pessoas é negativa, portanto não podemos potencializar essa escolha satisfazendo seus desejos e seus caprichos. A primeira providência a tomar é compreendermos realmente que ela, assim como todos os filhos de Deus, possui força e capacidade como qualquer outro e se não alcança é por escolha própria e não por incapacidade. A segunda providência é compreender que a dor e o sofrimento são lapidadores de uma moral e personalidade falha e egocêntrica, sendo assim, não há razão para piedade e nem motivos para compartilhar dela. A única maneira de ajudar nesses casos é ter coragem suficiente de esclarecer que você não fará parte desse jogo de interesses vaidosos e orgulhos e que assim que ela se colocar de forma a demonstrar seu verdadeiro eu, que é forte e inteligente, que você estará ao seu lado.

Os caminhos podem ser tortuosos, porém vibram exatamente da forma necessária para que o ser evolua, trazendo situações e condições de aprendizado. Sendo assim, não há o certo e o errado, nem o bom e o ruim e sim a condição necessária para cada um em seu estágio de evolutivo.

Na Lei da vida, existem caminhos a ser cumpridos e nossas dores serão amenizadas diante de nossa ligação real energética com o fluxo da natureza, que nada mais é que a Lei de Deus.

Abraços e Luz,

Mãe Solange de Iemanjá

11 de out. de 2011

O Lamento dos Orixás

Foi não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas.

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha se escondido nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás. Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu–se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram–se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que em nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

- Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? – ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

- Desculpe, sabe, ando meio ocupado – Respondeu um triste Ogum.

- Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

- É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãezinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles… Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida. Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, à direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza–se de sua espada para resolver qualquer situação.

E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer os trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam-se do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso se torna uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava:

- Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando–a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição.

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava–se por sua falange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua Falange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via–se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que se irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica aquela que recolhe todas as almas que se perderam na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem-se disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém se lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro. Um a um, todos foram despindo–se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam–se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor! E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram–se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando–o a figura do Diabo:

- Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! – Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

- Espere! – pensou Iemanjá – Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação. E logo Iemanjá colocou–se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou–se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu–se de sua roupa sagrada, pra igualar–se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

- Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam–nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou–se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros se juntariam nesse ideal. E aquilo os alegrou tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram–se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos–velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também se despiram e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás. Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem–aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam–se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. Miríades de espíritos foram retirados do baixo–astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador.

E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou–se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos se esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem–se disso. E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem–se das palavras de Oxalá ditas linhas acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não têm olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem–se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Honrem–os.

Sejam luz, assim como Eles! Exe ê o babá.

Autoria Espiritual: Vovó Maria Conga
Transcritor: Humilde e desconhecido

Local: Algum terreiro da Bahia

6 de out. de 2011

Bibliossíntese - Tambores de Angola.

Recomendo aos navegantes  à utilizar alguns minutos para ouvir essa bibliossíntese. Eleve-se e compreenda a espiritualidade.

Abraços e Luz,
Mãe Solange de Iemanjá

 


Sárava a Umbanda!

5 de out. de 2011

Pedimos pelo tombamento da casa que pertenceu a Zélio de Moraes

nsagem

Berço da umbanda, em São Gonçalo, pode ser salvo pela prefeita Aparecida Panisset,

que é evangélica


extra.globo.com Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/berco-da-umbanda-em-sao-goncalo-pode-ser-salvo-pela-prefeita-aparecida-panisset-que-evangelica-2692960.html#.TosV2PyzZo4.twitter

A salvação da casa que testemunhou o nascimento da umbanda, em Neves, São Gonçalo, está na mão da prefeita da cidade, Aparecida Panisset. Com o prazo apertado — o imóvel centenário deve ser demolido ainda esta semana, conforme o EXTRA noticiou anteontem — os institutos federal e estadual de patrimônio histórico temem não conseguir agir a tempo de proteger o local.
Um decreto da prefeita — que é evangélica —, desapropriando o imóvel para fins culturais, resolveria o impasse. Procurada desde sexta-feira, porém, ela não ainda não se manifestou sobre o assunto.
— Um imóvel com essa importância histórica tem que ser desapropriado. Ela é evangélica, mas uma pessoa pública tem que estar acima da religião — reivindicou Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).
De acordo com o arquiteto e urbanista Augusto Ivan Freitas Pinheiro, outros mecanismos para tentar evitar a demolição da antiga casa de Zélio Fernandino de Moraes, fundador da única religião 100% brasileira,seriam mais lentos.
— O Ministério Público pode embargar a obra, mas dependeria de uma decisão judicial. Já a prefeitura pode fazer isso quase que imediatamente — explicou.
A casa onde foi fundada a umbanda, em Neves: patrimônio da religião pode ser demolido Foto: Roberto Moreyra
Embora católico praticante, o cantor Martinho da Vila ficou indignado ao saber que a primeira sede da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade seria demolida.
— Acho um absurdo tentarem destruir uma coisa que é patrimônio nacional, patrimônio do Rio. Com certeza, se fosse outra religião nem ameaçavam derrubar. Faço um apelo pela preservação da casa — pediu o sambista.
Assim como Martinho, outras pessoas decidiram se manifestar à favor do tombamento da antiga casa de Zélio, em São Gonçalo. Até as 21h de ontem, o EXTRA havia recebido 68 mensagens com este assunto. Os remetentes eram desde umbandistas do Rio, Minas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul até hare krishnas de Brasília, passando por pessoas do México, de Portugal e do Japão.

4 de out. de 2011





Será que o mundo vai acabar mesmo em 2012?

            Há tempos que no kardecismo vem sendo divulgada a transformação do planeta Terra, de planeta de expiação para um planeta de regeneração, subindo assim um degrau em sua evolução. Contudo, no meio Umbandista, são raros os terreiros que abrange tal tema.
            Em aula, o Caboclo Cobra Coral, vem trazendo uma ótica  Umbandista desse fato, e diz:-
             O planeta Terra realmente está enfrentando uma fase de transformação, e essa transformação se dá justamente para a evolução do planeta. Para que tal transformação ocorra é preciso separar o joio do trigo e para isso é necessário a interferência das forças naturais e é neste ponto onde os Orixás atuam diretamente, com o auxílio dos guias trabalhadores em suas falanges.
            Para que haja a seleção daqueles que permanecerão no planeta ou que serão expurgados, é necessário que todos os filhos que estão ligados à crosta terrestre, tenham a oportunidade de testar seu grau evolutivo e para isso a reencarnação é o único meio seguro de avaliação. Neste processo todas as almas terão sua oportunidade e isso inclui os que estão vinculados ao baixo astral e umbral. Por conta disso e de fatores magnéticos negativados do planeta, temos e teremos a sensação nítida que tudo está cada vez pior, mas será apenas por determinado tempo, com nuances de calmarias e agitações até se dar a transição.
            Como o tempo está cada vez mais escasso e o trabalho é de grande vulto, os desencarnes coletivos são incorporados no projeto de evolução, pelos Regentes Planetários, sendo que sua maioria se dá através de fenômenos naturais (terremotos, furacões, tsunamis, nevascas, etc). A manipulação energética e vibracional para que ocorram tais fenômenos é controlada diretamente pelos Orixás e seus comandados.
            Se repararmos, os maiores fenômenos naturais acontecem justamente nos países desenvolvidos e, portanto mais antigos. Pois seus povos já tiveram tempo e condições suficientes para evoluírem de acordo com o patamar exigido para a permanência no planeta e magneticamente aqueles que não atingiram tal patamar são atraídos para as regiões sul onde tais energias cataclísmicas atuam com maior eficácia.

*No paragrafo acima muitos poderão pensar: - Mas, isso ocorre devido a localidade em áreas de risco, como a divisão das placas tectônicas, áreas de vulcões ativos e situações similares. O que devo advertir, é que o planeta foi minunciosamente pensado e é justamente por essa razão que os povos, que hoje são antigos e evoluídos, tiveram seu inicio nessas regiões, pois chegaria o tempo do expurgo.

            A evolução do planeta se consolida através de fases e no momento estamos atravessando uma das fases de expurgo e reencarne. Desde o ano de 2010 iniciou uma dessas fases e ela findará no ano de 2012, onde milhares de espíritos já sofreram e vão sofrer o expurgo definitivo do planeta, principalmente através de desencarnes coletivos por fenômenos naturais. É nestas fases que grande número de sensitivos, esotéricos e afins, pressente a energia negativada do momento do planeta e é deste fato que os comentários do final do mundo surgem e borbulham indiscriminadamente. Após o ano de 2012, onde ainda haverá grande numero de desencarne coletivo, as energias acalmarão, pois será o momento de trazer para a vida física aqueles que têm o direito de sua última oportunidade para permanecer no planeta.
            Sendo assim, podemos observar que absolutamente tudo é planejado e orquestrado por regentes planetários responsáveis por nosso planeta e nossos guias atuam nestas fases com o árduo trabalho de preparar aqueles que se encontram no baixo astral e umbral para uma nova oportunidade de reencarne e no direcionamento daqueles que sucumbiram nos desencarnes coletivo. Que Pai Oxalá nos dê força e discernimento nestes momentos críticos, sofridos, porém necessários.
            Portanto, o mundo não acabará!



Abraços e Luz
Mãe Solange de Iemanjá
04.10.11