4 de mar de 2011

O Que é A Jurema Sagrada - Catimbó


Mimosa Hostilis da família da Acácia, é nativa do nordeste Brasileiro e recebe o nome popular de "Jurema".
As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo:
Os Egípcios e Hebreus veneravam a "Acacia nilotica“ (Sant Shittim); Os Hindus, a "Acacia suma" (Sami);
Os Árabes, a "Acacia arabica" (Al-uzzah); Os povos indígenas do oeste da América do sul
veneravam a "Acacia cebil“ (vilca);
E os índios Brasileiros principalmente do Norte e Nordeste cultuam a “Jurema Preta" (Mimosa hostilis),
Jurema Angico (Acacia cebil) da América do Sul ,Jurema do Egito (Acacia nilotica )

"Acácia suma"(Sami), da Índia

“Jurema Preta" (Mimosa Hostilis), Brasil / Norte e Nordeste

Sempre associamos Xamanismo aos povos indígenas das poucas regiões do planeta nas quais ainda existem.
Isso sem dúvida é correto, mas, na verdade, o que se passou a denominar como Xamanismo é a capacidade natural humana
de entrar em contato com outras realidades, outros reinos de consciência como, por exemplo, a consciência das plantas,
dos animais e das forças da natureza.
Xamanismo é o conjunto mais antigo de praticas e técnicas para se entrar em contato com o mundo espiritual
e tem sua origem no Período Paleolítico. Sua principal característica é a semelhança existente na essência das
práticas de povos muito distantes entre si, muitas vezes separados por continentes e oceanos como, por exemplo,
os Esquimós e nossos irmãos indígenas aqui do Brasil.

No processo de “Evangelização" imposto aos indígenas Brasileiros pelos Jesuítas, a figura do Messias Civilizador Yurupari
não foi transformada em decalque do "Cristo", mas sim aproximada ao "Diabo" dos Católicos, embora os Jesuítas tenham
adotado pessoalmente a sua erva sagrada "Petun" (Tabaco), o qual era usado para provocar transe mediúnico nos
 Xamãs indígenas (Pajés), transformando o uso dessa "erva sagrada" em um vício profano que, ao longo do tempo,
tornou-se uma praga social universal.

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA  Nascimento da Jurema Sagrada -Catimbó

Os índios, com os primeiros aportes isolados da religiosidade e dos negros Bantus, quase sempre
escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados,
que esboçaram o Culto da Jurema Sagrada, no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função
social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades
pessoais quer de Índios, Negros ou Mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de
ligação com os antepassados de todas as etnias.


Os escravos fugitivos se escondiam na Mata, muitas vezes em aldeias indígenas

Rei Malunguinho, origem Banto, que quer dizer amigo ou companheiro dos líderes Quilombolas
Malunguinhos, cujo último líder destes Quilombos foi morto em combate nas Matas do Catucá
(Quilombo que se estendia desde as matas de Beberibe, na divisa Recife com Olinda até Goiana),
em setembro de 1835.
Os negros Bantos e Congoleses aceitaram esta nova concepção religiosa, sobretudo, em termos de
"culto aos mortos“. As variações, miscigenados Indígenas – cristãos - africanos, tais como o "Toré",
o "Tambor de Minas", o "Babassuê" e o "Batuque".

Os colonos Brancos assimilaram as soluções indígenas que, na prática, provavam ser eficientes nesta nova
terra: trocaram o trigo pela mandioca, o leito pela rede, o vinho pelo cauim; aprenderam a fumar e começaram a gostar dos
frutos e das filhas desta terra, iniciando a primeira miscigenação racial deste país, gerando filhos mestiços que
foram muito apreciados como elos das alianças com as tribos indígenas, alianças estas que os colonos precisavam
estabelecer para sobreviver aos ataques das tribos de nações indígenas inimigas. E os Branco com Negro surgiu assim o
Mulato (Vem de Mula) não carrega o nome do Pai Branco.
Da fusão destes novos cultos de Caboclos e Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade
dos negros Bantos, foi que se esboçou o segundo sincretismo religioso brasileiro – o Culto do Catimbó Jurema.

O Catimbó Jurema é uma União de Raças
Jurema Sagrada como tradição "mágica" religiosa
ainda é um assunto pouco estudado. É uma tradição nordestina que, em suas múltiplas formas
atuais, revela influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria Européia até a Pajelança
indígena, passando pelas religiões Africanas, pelo Catolicismo popular, e até mesmo pelo
Esoterismo moderno e pelo cristianismo esotérico, além de, em certos casos, estabelecer a diferença
principal entre as práticas de umbanda e do catimbó,

A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos Tupis
e o dos Cariris também chamados de Tapuias. Os Tupis se dividiam em Tabajaras e Potiguares,
que eram inimigos entre si. Na época da fundação da Paraíba, os Tabajaras formavam um grupo de
 aproximadamente cinco mil índios. Eles ocupavam o litoral e fundaram as aldeias “Alhandra e a de Taquara”.

Tudo teria começado com a índia Maria Gonçalves de Barros, conhecida por Maria índia, que teria
recebido do Imperador Dom Pedro II as terras do Açaís, em Alhandra PB, onde teria assentado moradia.
Maria Índia teria dado inicio a primeira casa de Catimbó oficial no Brasil, usando da Jurema Sagrada
para curar os mais variados males.

Como Maria Índia não teve filhos, a sua sobrinha, Maria Eugênia Gonçalves Guimarães, recebeu a
herança da tia, e logo ficaria famosa como sendo a “Madrinha Mestra” Maria do Açaís, passando a
manifestar com a Tia Maria Índia e o Mestre Zé Pelintra que e o Mestre considerado Padrinho da Jurema o Rei
do Catimbó, Lembrando que ele não é um Exu e sim mestre na Jurema.
No Catimbó, não tem Exu e não se cultua o Orixá.

• A Jurema Sagrada era denominada originalmente
de CAATIMBÓ (Fumaça do Cachimbo).

• Hoje em dia, não se usa, pois, o termo foi deturpado, e é generalizado como Feitiçaria e
Bruxaria de Malefício, que se originam dos mestiços da Caatinga “Catingueiros”
São Sagrados para Os Juremeiros ou Catimbozeiros:

• O chão, Os Rios, Os Lagos, As Fontes de Águas, As Matas, Os Animais, As Chuvas, O Vento, O Mar, O Ar
que respira, Os Alimentos que ingere, Os Antepassados e as pessoas Vivas

Os Mestres e Mestras São espíritos dos antepassados, pessoas que quando vivas cultuavam a Jurema e que depois
de passar, trabalham nas sessões de jurema,
 Os Mestres e as Mestras vêem em diversas linhas ou chamadas, as principais
são:

•Os Encantados São espíritos elementares ou sendo espíritos ligados à natureza que no momento da morte se
encantaram em animais e plantas. Os Caboclos também são em geral Encantados.

•Os Príncipes São parecidos com os encantados, com a diferença de que estão ligados à natureza em si, mas não se
encantaram em plantas nem animais e tém que ser virgens. Caboclos são os índios. Espíritos Mestiços são os Mestres
e geralmente são todos oriundos do norte e nordeste do Brasil.

• Os Reis e Rainhas espíritos milenares que por sua antiguidade podem atuar nos fenômenos naturais em beneficio
da humanidade, como Rei Salomão e Rei Malunguinho.
Obs.: Os mestres e as mestras são de dois tipos: os que trabalham na direita ou sendo os que executam trabalhos de
construir, e os que trabalham na esquerda que são os responsáveis por destruir certas situações, não necessariamente
o mal.

•Os Boiadeiros Espíritos sertanejos ligados ao interior do nordeste, havendo algumas exceções quanto a espíritos que
vem de 4 outras regiões do pais, são ligados a vaquejar gado. dai tem os Tangerinos e  Vaqueiro abaixo nesse saite tenho
falado deles.

•Os Pajés espíritos de antigos indígenas das terras Brasileiras, que são responsáveis pela cura através das ervas
e encantar os seus principais guerreiros e cacique no tronco da jurema após a sua morte (Caboclo Mestre).

•Os pretos velhos antigos rezadores do Brasil de descendência africana.

Um Discípulo de Jurema passa por vários graus de desenvolvimento para se tornar um Padrinho Mestre, que é o
grau máximo que um juremeiro pode chegar, Os graus são os seguintes:

1º) Discípulo Apontado.
2º) Discípulo Batizado.
3º) Discípulos Juremado
4º) Discípulo Consagrado ( A MESA DA JUREMA O CERTO SERIA NO PE DA JUREMA PRETA)
5º) Padrinho.
6º) Padrinho Mestre.
7º) Mestre.
**** Existem os cargos para aqueles que não manifesta. Cargos: Guardiões(ãs) da Jurema,

Na Mata, em sua entrada, dá-se presentes ao Mestre Reis Malunguinho. E na Jurema Preta, às
princesas, para a mutilação seu Tronco, para o encantamento dos Caboclos e Mestres.

 JUREMEIRO NETO EM RIO GRANDE DO NORTE MUTILANDO UM TRONCO DA JUREMA PRETA 
 PARA ENCANTAMENTO DE SUAS CORRENTES
•Da árvore jurema se retira sementes para encimentação de novos discípulos.
•O tronco para levantar no mundo material a representação do mestre do invisível.
•Da raiz e casca se prepara uma bebida de força chamada, dependendo do lugar, de CAUIM,
JUREMA, MESTRE e CIÊNCIA...
A abertura da mesa é uma liturgia simples, mas  significativa e bonita.
 

Lidamos com uma pratica ritual pouco elaborada de forma que algumas poucas coisas podem ser destacadas como de beleza própria.
 
Padrinho Mestre Jeová Brasil Natal -RN essa e minha mesa.

Antigamente, os mestiços ficavam abaixados no meio dos Matos escondidos da policia.

 Se fossem flagrados, eram todos mortos ali mesmo, e não podiam ser enterrados nos cemitérios da cidades.
 Enterravaos no meio da caatinga, debaixo de um Pé de Jurema Preta.

Anterior ao Século XX, os Índios (Xamanistas), Afro–descendentes e mestiços, com o início do Afromeríndico, eram analfabetos e perseguidos pela
igreja e governantes como feiticeiros e bruxos.
Esse fato impossibilitou o não relato escrito de sua religião. Por esse motivo, os conhecimentos da Jurema Sagrada - Catimbó vieram através dos espíritos dos Caboclos Mestres, e Mestres(as),
mediante falas/verbalizações, o que chamamos de Ciência dada pelos Mestres.

Hoje no Templo utilizamos muitas práticas que eram realizadas desde a antiguidade, devido nossa jornada evolutiva, muitas delas foram desconsideradas pela compreensão de seus significados místicos ou negativos. Devemos sempre respeito por tudo o que é sagrada, portanto, Salve a Juremá do Catimbó.

Abraços e Luz
Mãe Solange de Iemanjá

8 comentários:

  1. Oh! Todos Benditos Orixás (desde: Oxalá, até Exú)! Especialmente, aos Meus Orixás! Todos Benditos Odús! Principalmente, a Meu Odú! Saravá! Salve! Motumbá! Ave! Kolofé! Viva! Mukuiu! Namastê! Shalom! Om Shanti! Jaya Ahow! Comunhões, Contemplações, Consagrações, Enaltações, Honras, Saudações, Homenagens, Elogios, Adorações, a Todos Vós! Sempre! Malê, Malembe (Maleime, Maleme), Agô! Eterna, Infinitamente, Agradecido, Grato (Mesmo), de coração, por tudo de bom, a mim, por tudo, Sempre a meu favor (e Jamais contra mim)! Peço-Vos, encarecidamente, que eu tenha: Inteligências, Paz, Saúde (muitas), a mim! Sempre (Mesmo)! Assim Seja! Assim Se Faça (Sempre, Mesmo)! E, Nunca (Mesmo) Se Desfaça! Axé, Axé, muito Axé!

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  2. Oh! Sempre! Bendito, Forte, Poderoso! Sempre! Exú MARABÔ! Sempre! Bendito PUT SATANAKIA! Sempre! Alaroê, Saravá, Mojubá! Sempre! Malê, Malembe (Maleime, Maleme), Agô! Sempre! Axé, Axé, muito Axé!

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  3. Oh! Sempre! Todos os Benditos Deuses(as), Divindades, Deidades, Orixás, Odús, Inquices (Inkices, Inkisses), Voduns, Protetores, Guias, Mentores, Anjos, Gênios, Santos(as) Espirituais (que me ajudaram e/ou me ajudam)! Sempre! Ave, Saravá, Salve (Viva)! Sempre! Malê, Malembe (Maleime, Maleme), Agô! Sempre! Eterna, Infinitamente, Agradecido, Grato (Mesmo), de coração, por tudo de bom, a mim, por tudo, Sempre a meu favor (e Jamais contra mim)! Peço-Vos, por favor, que eu tenha: Sabedorias, Saúde, Proteções (demais, mesmo), por tempo demais (mesmo), a mim! Sempre (Mesmo)! Assim Seja (Amém)! Assim Se Faça (Mesmo)! E, Nunca (Mesmo) Se Desfaça! Axé, Axé, muito Axé!...

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  4. importante o conhecimento sobre o nascimento de tendências que certamente serão eternizadas em nosso meio por estarem associadas a nossa origem espiritual. saúdo a todos os orixás, em especial oxossi e oxalá, meu anjo da guarda que nunca me faltará

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  5. estudar para saber o quanto estamos sendo agraciados pelas bênçãos dos orixás é tão importante quanto aprender a agradecer.

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